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Gigantes do setor energético, Eneva e Origem Energia, aceleram a aquisição de projetos no mercado secundário do LRCap, reforçando a dinâmica e o potencial da infraestrutura elétrica brasileira.
O setor elétrico brasileiro testemunha uma efervescência sem precedentes no mercado secundário de ativos de capacidade. Após a Âmbar Energia, braço do conglomerado J&F, sinalizar interesse em projetos da Evolution Power Partners (EPP) originados no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, novas informações apontam para a entrada de outros pesos-pesados da energia.
Fontes próximas ao mercado indicam que Eneva e Origem Energia também estão avaliando a compra de empreendimentos contratados neste leilão. Essa movimentação, que acontece poucas semanas após o certame, destaca a rápida consolidação de um ambiente de compra e venda de ativos, com um foco crescente na segurança energética e no desenvolvimento da infraestrutura do país.
Um Mercado Secundário Aquecido
A percepção nos bastidores é que uma parcela significativa dos projetos do LRCap foi arrematada já com a intenção de futura revenda. Esta estratégia é particularmente evidente em empreendimentos de menor porte, como os de 30 MW e 50 MW, frequentemente adquiridos por empresas que não possuem um histórico operacional robusto no segmento de termelétricas. Os especialistas do setor concordam que os preços negociados no leilão foram atraentes o suficiente para incentivar não apenas a implementação, mas também a originação e subsequente alienação desses projetos, movimentando o mercado de energia.
Projetos Desafiadores e a Escassez Global
Os projetos com entrega prevista para 2028 são considerados os mais desafiadores, impulsionados pela escassez global de equipamentos essenciais para usinas termelétricas, como turbinas e grandes componentes industriais. Nesse cenário, as “developers” – empresas focadas na estruturação e no desenvolvimento inicial dos projetos – buscam ativamente parcerias estratégicas com grupos maiores ou alternativas para alavancar seu capital próprio, visando garantir a execução e a sustentabilidade de suas iniciativas.
A Força dos Grandes Players
A entrada de empresas de grande porte e com estruturas consolidadas nos projetos é vista como um fator mitigador para o risco de não entrega das usinas contratadas. Agentes do mercado avaliam que grupos como Eneva, Origem Energia e Âmbar Energia possuem maior capacidade técnica, operacional e financeira para implantar esses empreendimentos, mesmo diante da escassez de equipamentos e das incertezas relacionadas ao suprimento de gás natural. Essa dinâmica reforça a credibilidade e a viabilidade dos projetos de geração térmica no longo prazo.
O Olhar do TCU
Este avanço do mercado secundário ocorre em um momento em que o Tribunal de Contas da União (TCU) investiga os riscos associados às chamadas “geradoras de papel”. O escrutínio do TCU sublinha a importância de uma governança robusta e da solidez dos players envolvidos para garantir que os projetos contratados contribuam efetivamente para a segurança energética e o desenvolvimento da matriz elétrica brasileira, promovendo a energia limpa e sustentável.
A intensa movimentação de Eneva e Origem Energia no mercado secundário de projetos do LRCap solidifica a tendência de consolidação e especialização no setor elétrico. A participação de grandes grupos com comprovada capacidade de execução é fundamental para assegurar a entrega dos empreendimentos, fortalecendo a infraestrutura energética nacional e garantindo a segurança e confiabilidade do abastecimento. Esse cenário aponta para um futuro onde a colaboração entre desenvolvedores e operadores de grande porte será crucial para o avanço da energia sustentável no Brasil.























