Vibra Energia defende mudanças cruciais no modelo de preços do setor elétrico para reduzir custos. A companhia também garante estabilidade no abastecimento de combustíveis, mitigando impactos do cenário global volátil.
A Vibra Energia, uma das gigantes do setor, está na linha de frente da discussão sobre a reformulação do modelo de formação de preços da energia elétrica no Brasil. A empresa argumenta que o modelo atual é “excessivamente averso ao risco”, um fator que eleva os custos para consumidores e a indústria.
Durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre, Ernesto Pousada, CEO da companhia, destacou a importância de buscar alternativas que promovam maior eficiência e equidade. Paralelamente, a Vibra reafirmou a segurança do abastecimento de combustíveis no país, mesmo diante da volatilidade geopolítica.
Aprimoramento do Modelo Elétrico
A subsidiária Comerc Energia, braço da Vibra no segmento, identificou um problema fundamental no atual modelo de precificação. Segundo Pousada, há um grande potencial para implementar um sistema que mitigue a aversão ao risco presente nos cálculos, contribuindo significativamente para a redução dos preços de energia e diminuindo a disparidade entre valores praticados ao longo do dia e em horários de pico.
A Comerc tem colaborado ativamente com o governo federal, buscando soluções que possam gerar benefícios tangíveis para todo o setor elétrico. O foco da Vibra é fortalecer a atuação da Comerc Energia e maximizar seus resultados, adaptando-se a um cenário complexo para as empresas de energia renovável.
Desafios da Comerc Energia no 1T
O primeiro trimestre de 2024 foi desafiador para a Comerc Energia. A subsidiária enfrentou altos níveis de curtailment, que atingiram 19% da geração, além de uma menor incidência de recursos solares e um ambiente desfavorável no mercado de trading de energia. Esses fatores resultaram em um desempenho financeiro abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.
O Ebitda @Stake da Comerc totalizou R$ 192 milhões, uma redução de 28%. O lucro líquido ajustado também caiu 30%, alcançando R$ 80 milhões. Contudo, a receita líquida demonstrou resiliência, subindo 32% para R$ 1,58 bilhão. Em termos operacionais, a geração distribuída cresceu 31%, atingindo 143 GWh, e a energia comercializada aumentou 4%, para 7.344 GWh. Em contrapartida, a geração centralizada apresentou queda de 16%, totalizando 563 GWh.
Estabilidade no Abastecimento de Combustíveis
Diante das incertezas causadas pelo conflito no Oriente Médio e a consequente volatilidade dos preços do petróleo, Ernesto Pousada assegurou que a Vibra conseguiu absorver os impactos. A estratégia incluiu a ampliação das importações de derivados de petróleo e a manutenção de uma estrutura de custos competitiva, garantindo o pleno abastecimento de produtos aos clientes.
Pousada reforçou o compromisso da empresa em defender maior equidade no mercado de distribuição de combustíveis. “Não vemos, do ponto de vista da Vibra, nenhuma questão de desabastecimento. Nossos clientes vão ter os produtos que eles precisam para continuar com as suas operações”, declarou o executivo.
A Vibra também está em contato com o governo federal para definir um modelo de participação no programa de subvenção ao diesel, buscando um formato que seja mutuamente benéfico. A habilitação da empresa já foi confirmada, evidenciando seu interesse em colaborar.
Resultados Consolidados da Vibra no 1T
Os resultados consolidados da Vibra no primeiro trimestre de 2024 foram robustos. O lucro líquido ajustado alcançou R$ 1,5 bilhão, um aumento de 63% em comparação ao ano anterior, impulsionado por um efeito não recorrente relacionado ao reconhecimento de créditos fiscais. O Ebitda ajustado cresceu 58%, atingindo R$ 3,2 bilhões, e a receita líquida ajustada registrou uma alta de 7%, totalizando R$ 48,25 bilhões.
A dívida líquida da companhia ficou em R$ 18,61 bilhões, com uma relação dívida líquida/Ebitda de 2x, indicando um nível de alavancagem controlado. O volume total comercializado pela Vibra expandiu 4%, chegando a 8.737 mil m³. As vendas na rede de postos cresceram 6%, impulsionadas pelo diesel e ciclo otto, enquanto o segmento B2B teve alta de 1%, influenciado pelas vendas de querosene de aviação (QAV).
Conclusão
A Vibra Energia demonstra um posicionamento proativo tanto na busca por um mercado de energia mais justo e eficiente quanto na garantia da segurança do abastecimento de combustíveis no país. Apesar dos desafios em setores específicos, como o da Comerc Energia, os resultados financeiros consolidados da Vibra no primeiro trimestre refletem a solidez e a capacidade da empresa de se adaptar e capitalizar em um ambiente dinâmico, sempre com foco na sustentabilidade e na entrega de valor.























