A Auren Energia registrou EBITDA de R$ 925,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, neutralizando pela primeira vez o impacto do curtailment graças à inovadora estratégia de modulação.
A Auren Energia divulgou seus resultados do primeiro trimestre de 2026, alcançando um EBITDA ajustado de R$ 925,9 milhões. O desempenho ocorreu em um período caracterizado por desafios significativos, incluindo alto nível de curtailment, notável volatilidade nos preços de energia e menor produção de fontes renováveis.
O grande marco do trimestre foi a inédita capacidade da companhia de compensar integralmente as perdas decorrentes do curtailment. A estratégia de modulação de energia gerou um ganho recorde de R$ 97,2 milhões, superando as perdas de R$ 86,2 milhões provocadas pelos cortes de geração entre janeiro e março.
Resiliência Operacional e Ganhos Estratégicos
O CEO da Auren Energia, Fabio Zanfelice, enfatizou a robustez operacional da empresa. Segundo ele, a diversificação do portfólio de ativos foi crucial para capturar valor e mitigar os efeitos de um ambiente mais adverso no setor elétrico.
A modulação se beneficiou da dinâmica do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), com preços mais baixos ao meio-dia, durante a maior geração solar, e mais altos no final da tarde, período favorável para outros perfis de produção.
Cenário de Geração e Finanças
Os cortes na geração de energia renovável, ou curtailment, permaneceram expressivos no Sistema Interligado Nacional (SIN), afetando 14,9% da geração eólica e 16,2% da solar. Apesar disso, e da menor disponibilidade hídrica em janeiro, que se recuperou em fevereiro e março, a Auren manteve resultados sólidos.
No aspecto financeiro, a Auren demonstrou disciplina. A dívida líquida foi reduzida em R$ 135,4 milhões no trimestre, e a alavancagem se manteve estável em 5,2 vezes a relação dívida líquida/EBITDA ajustado. A companhia projeta uma estabilização da alavancagem em 2026 e uma aceleração da desalavancagem a partir de 2027.
Projetos de Expansão e Reorganização Societária
Em projetos de expansão, o complexo eólico Cajuína 3, localizado no Rio Grande do Norte, atingiu 68% de execução física, mantendo o cronograma. Com 112 MW de capacidade, a previsão é que comece a operar ainda no primeiro semestre de 2026, com operação comercial total até dezembro.
Adicionalmente, a primeira fase da reorganização societária foi concluída em abril, com a incorporação da Auren Participações pela Auren Operações. O vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores, Mateus Ferreira, destacou que a medida simplifica a estrutura e otimiza a gestão, preparando a Auren para um novo ciclo de crescimento.
Os resultados da Auren Energia no primeiro trimestre de 2026 reforçam a tendência de que a diversificação de portfólio e as estratégias de modulação são cruciais para empresas do setor elétrico. Essas abordagens são fundamentais para navegar em um mercado cada vez mais desafiador, com a expansão da energia renovável e as limitações de transmissão, que prometem manter o tema do curtailment em alta nas discussões do mercado.























