Mercado livre de energia registra menor entrada de novos consumidores no início de 2026, apesar de novidades no modelo simplificado.
A transição de consumidores para o mercado livre de energia registrou uma desaceleração notável no primeiro trimestre de 2026. Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) apontam para a migração de 4.827 novos participantes, uma redução de 36,5% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Este cenário marca uma mudança após anos de crescimento expressivo no setor.
Apesar da queda geral, o novo modelo simplificado de gestão do varejo, implementado em julho de 2025 e baseado em tecnologias de APIs, facilitou a entrada de mais de 70% dos novos consumidores. Esta inovação demonstra um esforço contínuo para democratizar o acesso ao mercado livre de energia, tornando-o mais acessível a empresas de menor porte.
Setores Lideram a Adesão ao Mercado Livre
Os setores de serviços e comércio foram os principais responsáveis pelas novas adesões ao mercado livre de energia durante o primeiro trimestre. Em seguida, os ramos de saneamento e alimentos também se destacaram. Esses números evidenciam a expansão do ambiente de contratação para além de grandes corporações, alcançando estabelecimentos como supermercados, hospitais, farmácias e hotéis.
O estado de São Paulo liderou o ranking de novas migrações, com 1.311 unidades consumidoras optando pelo mercado livre. Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná também apresentaram números expressivos. Na região Nordeste, a Bahia se destacou com 340 novos consumidores migrados.
Contexto Histórico e Mudanças Regulatórias
Em 2025, o mercado livre de energia viu a migração de 18.928 unidades consumidoras, um crescimento de 29% em relação ao ano anterior, segundo a Abraceel. No entanto, o volume de 2026 já sinaliza uma desaceleração em comparação com o recorde de 2025, quando 26.834 unidades migraram, mais que o triplo de 2023. Desde janeiro de 2024, todos os consumidores do Grupo A, em média e alta tensão, têm a permissão de migrar para o mercado livre, conforme regulamentação do Ministério de Minas e Energia.
Consumidores com carga inferior a 500 kW precisam ser representados por um agente varejista para ingressar no mercado livre. Essa regulamentação busca garantir uma transição organizada e segura para todos os participantes, mesmo com a desaceleração observada no início de 2026.























