Encontro em Santa Marta, na Colômbia, reúne nações em busca de soluções práticas para o fim da dependência de combustíveis fósseis, superando os impasses das negociações climáticas tradicionais.
Representantes de 56 países do Norte e Sul Global se reúnem em Santa Marta, no Caribe colombiano, para buscar caminhos concretos para o fim dos combustíveis fósseis. A 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis ocorre até a próxima quinta-feira (29), recolocando no centro do debate o principal vilão da agenda climática, ponto em que as negociações tradicionais têm falhado.
Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, 24 países já haviam sinalizado interesse. Agora, a adesão mais que dobrou, indicando uma articulação crescente em torno da necessidade de avançar para a implementação.
O papel estratégico do Brasil e da Colômbia
Nesse movimento, o Brasil ocupa uma posição estratégica. Ainda durante a COP30, o presidente Lula defendeu a construção de um “mapa do caminho” global para orientar a transição. Santa Marta surge como um desdobramento do incômodo deixado pela conferência, limitada pelo consenso exigido na ONU.
“O que queremos aqui é unir esforços, pensar em conjunto. O que nos atrai é a coalizão, o coletivo. O que podemos fazer juntos que cada país não consegue fazer separadamente?”
Declarou a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, ressaltando que o encontro ocorre livre do lobby das indústrias petrolíferas.
Compromisso com a transição energética
A Colômbia utiliza o próprio exemplo para mostrar que a transição energética é viável. A ministra anunciou a decisão de não conceder novos contratos de petróleo e gás e não expandir a indústria do carvão. O compromisso estende-se à Sierra Nevada, considerada sagrada pelos povos indígenas. Santa Marta, um dos maiores portos exportadores de carvão do mundo, reforça o simbolismo de sediar um encontro que discute o fim desse modelo econômico.
A expectativa é que o relatório gerado sirva de insumo para o “mapa do caminho” que o Brasil pretende apresentar em novembro deste ano, pressionando futuras negociações climáticas.
Uma nova dinâmica para o clima
O que se desenha é um rearranjo incomum. A conferência abre espaço para nações vulneráveis, povos indígenas e cientistas, deslocando o eixo das decisões.
“A decisão sobre como vamos planejar a eliminação gradual dos combustíveis fósseis envolve a criação de territórios para a vida, sim, zonas de exclusão do extrativismo, sim, zonas aceleradas, zonas que devem ser priorizadas para o fechamento progressivo”
Afirmou Vélez. Ao reunir apenas países dispostos a avançar, a conferência aposta que um grupo alinhado pode gerar a pressão política necessária para destravar o debate global, funcionando como um laboratório para a superação definitiva dos combustíveis fósseis.





















