Desconfiança no STF: 60% dos Brasileiros não Confiem mais na Corte
Mais da metade da população brasileira não confia mais no Supremo Tribunal Federal (STF). É o que revela uma pesquisa da AtlasIntel em parceria com o jornal Estadão, realizada entre os dias 16 e 19 de março, com 2.090 entrevistados. O levantamento aponta que 60% dos brasileiros declararam não confiar no Supremo e em seus ministros. Essa desconfiança, que tem sido ligada ao escândalo envolvendo o Banco Master, pode, inclusive, impactar a reeleição do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
Crescente Desconfiança
Apenas 34% dos entrevistados afirmam confiar na mais alta instância do Poder Judiciário. Este patamar de desconfiança representa o ponto mais alto desde o início da série histórica da pesquisa, em janeiro de 2023. Naquela época, os índices eram mais equilibrados: 45% confiavam e 44% desconfiavam. Já em agosto de 2025 (data provavelmente incorreta na fonte original, que deve ser 2023 ou 2024, mas manterei o que foi fornecido), a desconfiança já era majoritária (51,3%), mas ainda bem abaixo dos atuais 60%. A confiança, por sua vez, caiu significativamente de 48,5% para os atuais 34%.
O Escândalo do Banco Master e Seus Efeitos
O desgaste da imagem do STF foi intensificado por suspeitas de relações comerciais entre ministros da Corte e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está detido. Revelações do Estadão indicam, por exemplo, que a esposa do ministro Alexandre de Moraes manteve um contrato de R$ 129 milhões com o banco de Vorcaro. Além disso, há indícios de envolvimento de outros ministros, como Dias Toffoli, que seria sócio anônimo de uma empresa que recebeu pagamentos do cunhado de Daniel Vorcaro em uma transação imobiliária. Essas ligações levantam questões sobre a imparcialidade e a conduta dos magistrados, contribuindo para a perda de credibilidade junto à opinião pública.
Polarização Política e Confiança
A pesquisa também analisou a confiança no STF sob uma ótica eleitoral, revelando uma profunda polarização. Entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022, impressionantes 96,5% não confiam no Supremo, enquanto apenas 0,7% confiam. O cenário é inversamente oposto entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 71,4% confiam na instituição, contra 23,1% que não confiam. Essa divisão sugere que a percepção sobre o STF está fortemente atrelada à identidade política dos cidadãos, e o desgaste de ministros como Alexandre de Moraes é visto como um fator que pode favorecer o retorno do bolsonarismo ao cenário político.
Pilares da Autoridade Judicial em Xeque
Conforme explicado pelo professor de direito constitucional Oscar Vilhena, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a autoridade dos tribunais se apoia em três pilares essenciais: independência, imparcialidade e capacidade de decidir com objetividade. Quando um desses pilares, especialmente o da imparcialidade (a equidistância em relação às partes envolvidas), é questionado, a confiança na instituição é inevitavelmente abalada. As atuais suspeitas e a percepção pública de envolvimento indevido de ministros colocam em xeque a imparcialidade do STF, comprometendo sua credibilidade e, consequentemente, sua autoridade perante a sociedade.
Créditos: Agência Congresso





















