Acompanhe a expansão da geração de energia em Mato Grosso, com a adição de novas usinas e a manutenção de uma matriz predominantemente renovável, preparando o estado para os desafios energéticos futuros.
Expansão da Geração de Energia em Mato Grosso com a UHE Juruena
Mato Grosso demonstrou um avanço significativo em sua capacidade de geração de energia elétrica ao longo de 2025, marcando a entrada em operação da Usina Hidrelétrica (UHE) de Juruena. Este novo empreendimento injetou 50 megawatts (MW) no sistema estadual, iniciando suas atividades em 3 de setembro e consolidando a matriz energética local, que já é amplamente renovável. Com este acréscimo, o estado alcança aproximadamente 4,2 mil MW de potência fiscalizada, distribuída em 547 empreendimentos.
Os dados do Sistema de Informações de Geração (SIGA) e do Relatório de Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica (Ralie), ambos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), revelam que 86,63% dessa potência provém de fontes renováveis. Apenas 13,37% correspondem a fontes não renováveis, como gás natural e óleo diesel. Esse cenário posiciona o estado de forma robusta no panorama energético nacional, que também viu um aumento de 7.178 MW na potência instalada em 2025, com a adição de 130 novas usinas até meados de dezembro.
Projetos em Andamento e Previsões para 2026
Atualmente, Mato Grosso possui um pipeline robusto de desenvolvimento energético, com 11 empreendimentos em fase de construção. Estes incluem cinco Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e seis Usinas Termelétricas (UTEs), que juntos somam 419 MW de capacidade. Além disso, há um potencial ainda maior representado por 41 projetos que aguardam o início da construção, englobando oito PCHs, uma UHE, uma UTE e 31 usinas solares fotovoltaicas (UFVs), totalizando um potencial adicional de 1.068 MW. Olhando para 2026, a expectativa é de que seis novas usinas comecem a operar entre fevereiro e setembro, adicionando cerca de 77 MW à capacidade instalada estadual. Estes futuros empreendimentos incluem projetos de biomassa, como a UTE da Alvorada Bioenergia, as usinas da FS Primavera e da Inpasa Mutum, além das PCHs Mutum 1, Braço Norte 2 e Braço Sul. Esses avanços demonstram um compromisso contínuo com o aumento da potência instalada e a diversificação da matriz.
O Impacto da Retomada dos Leilões de Energia
O ano de 2025 foi crucial para o setor com a retomada dos leilões, especialmente das PCHs, impulsionada pelo certame realizado em 22 de agosto. Segundo Teomar Magri, coordenador de Energia da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), este momento representou uma grande vitória, ocorrendo em um contexto de incertezas, preços baixos no mercado livre e cortes na geração.
“Foi uma grande vitória em um cenário marcado por cortes de geração, preços baixos no mercado livre e incertezas quanto à demanda das distribuidoras. O resultado do leilão superou as expectativas do setor”.
No leilão nacional, 464,2 MW médios (equivalente a 815,5 MW de potência instalada) foram comercializados por 65 empreendimentos. Especificamente em Mato Grosso, seis projetos negociaram 53,2 MW médios (74,5 MW de potência instalada), o que deve gerar cerca de R$ 1 bilhão em investimentos no estado. Alessandra Torres, presidente da Associação Brasileira de PCHs e CGHs (Abrapch), ressaltou a importância da mobilização do setor e o debate no Congresso Nacional sobre as Medidas Provisórias 1.300 e 1.304. Ela enfatizou o papel das PCHs como “baterias naturais” para as fontes intermitentes.
Planejamento Estratégico e o Balanço Energético do Estado
Para Carlos Garcia, presidente do Sindicato das Indústrias de Energia do Estado de Mato Grosso (Sindenergia MT), o cenário atual exige um forte planejamento e uma visão de longo prazo para integrar eficientemente as fontes renováveis e garantir a segurança energética. Um marco importante nesse sentido é a retomada do Balanço Energético do Estado. O Governo de Mato Grosso firmou um contrato com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), por meio do Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Planejamento Energético (Niepe), para elaborar o estudo referente ao ciclo de 2025, utilizando dados de 2021 a 2024. Este levantamento, paralisado desde 2021, foi retomado após articulação do Sindenergia MT. Garcia salienta:
“O Balanço Energético é essencial para que o Estado possa planejar o desenvolvimento de sua matriz energética. Esse estudo é o ponto de partida para direcionar ações e investimentos no setor. Se queremos planejar uma matriz mais limpa, reduzindo o uso de combustíveis fósseis, precisamos primeiro conhecer os números atuais para, a partir deles, projetar o futuro. É esse caminho que vai nortear as ações e políticas públicas estaduais”.
A conclusão do estudo é fundamental para orientar políticas públicas e direcionar investimentos futuros na busca por uma matriz energética ainda mais limpa e previsível no estado.























