A União Europeia estuda ampliar a cobrança por emissões de carbono em voos internacionais partindo do bloco, enfrentando resistência de companhias aéreas e de potências como os EUA.
A busca por uma economia mais sustentável na Europa pode resultar em uma mudança significativa no setor de aviação. A Comissão Europeia avalia a possibilidade de incluir voos internacionais que partem de seus aeroportos no sistema de comércio de emissões, conhecido como ETS (Emission Trading System). A medida, discutida em reunião recente com membros da indústria, faz parte de uma reestruturação profunda nas políticas de energia limpa do bloco.
O ETS funciona como um mecanismo de “teto e comércio”, obrigando empresas a adquirirem permissões para cada tonelada de carbono emitida. Atualmente, o custo incide apenas sobre rotas internas, deixando de fora trajetos globais. A ideia é eliminar essa isenção para combater o crescimento das emissões no setor aéreo, que, segundo dados do instituto Transport & Environment, subiram 30% desde 2005, na contramão de outros setores industriais.
O impacto nos custos e a resistência do setor
A possível extensão da taxação levanta preocupações imediatas sobre os preços das passagens. Estima-se que, com a mudança, o acréscimo médio por bilhete poderia saltar de 7 euros para 45 euros, gerando uma receita potencial de 17 bilhões de euros até 2030 para os Estados-membros. O cenário, contudo, é visto como um desafio logístico e financeiro em um momento de instabilidade no custo de combustíveis causado por conflitos geopolíticos.
Companhias aéreas de baixo custo, como Ryanair e easyJet, já manifestaram descontentamento, alegando que a regulação tornaria o turismo na Europa menos competitivo. A preocupação é que o consumidor opte por destinos fora do bloco para evitar custos extras. Por outro lado, empresas de longo curso, como British Airways e Air France, também devem se opor, visto que sua lucratividade depende majoritariamente de rotas globais.
Diplomacia climática e próximos passos
A pressão não vem apenas do mercado. A implementação dessa política encontra barreiras históricas na diplomacia internacional. Os Estados Unidos, por exemplo, já barraram iniciativas similares no passado. A União Europeia, contudo, mostra-se determinada a revisar o papel dos créditos internacionais e a transparência no uso das permissões gratuitas, buscando formas de legitimar a taxação sem desestabilizar o setor aéreo.
O debate ganha fôlego com o vencimento próximo de uma prorrogação vigente e a pressão de grupos ambientais. Se for adiante, a medida reforçará o compromisso do bloco com a descarbonização, mas terá que navegar em águas turbulentas entre metas climáticas ambiciosas e a preservação da competitividade de uma das indústrias mais impactadas pelos custos de energia.





















