O banco de investimentos UBS ampliou sua fatia na Cemig, alcançando 10,17% das ações preferenciais da estatal mineira por meio de derivativos, mantendo foco estritamente financeiro.
O setor elétrico brasileiro viu a movimentação de um gigante global nesta semana. A Cemig, uma das principais companhias do ramo no país, notificou o mercado sobre o aumento expressivo na participação acionária do Grupo UBS, que agora detém uma fatia de dois dígitos em suas ações preferenciais (CMIG4).
A estratégia adotada pelo banco suíço chama a atenção pela engenharia financeira. Ao utilizar derivativos com liquidação em dinheiro, o grupo atingiu a marca de 10,17% de exposição no papel, garantindo o cumprimento imediato das regras de transparência estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Transparência e foco no lucro, não no poder
A operação seguiu rigorosamente a Resolução CVM 44/2021, que exige a notificação pública quando um grupo econômico ultrapassa patamares relevantes de exposição em uma companhia aberta. Essa medida visa assegurar a clareza para os investidores minoritários e evitar assimetrias de informação.
Ao contrário de uma aquisição de ações ordinárias — que conferem peso nas decisões do conselho —, a escolha por instrumentos que se liquidam financeiramente deixa claro que o interesse do UBS não é político. O governo de Minas Gerais continua sendo o controlador soberano da utility, mantendo a estabilidade na governança da estatal.
Compromisso com a manutenção da estrutura
Para evitar especulações sobre uma possível interferência na gestão ou mudanças na estratégia corporativa, o UBS formalizou sua posição junto à diretoria da Cemig. Em comunicado, a instituição financeira foi direta:
“Os Investidores declaram, ainda, que as movimentações realizadas não objetivam alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da Companhia e que não são parte de quaisquer contratos ou acordos que regulem o exercício de direito de voto ou a compra e venda de valores mobiliários emitidos pela Companhia.”
O interesse dos grandes bancos globais na Cemig reflete a atratividade do setor elétrico nacional. Fatores como a renovação de concessões e a histórica consistência na distribuição de dividendos e JCP (Juros sobre o Capital Próprio) tornam a companhia um porto seguro para tesourarias que buscam previsibilidade e retornos sólidos em um cenário macroeconômico desafiador. A aposta do UBS reforça a percepção de que a elétrica mineira segue no radar dos grandes players internacionais como um ativo de longo prazo.






















