Uma mobilização setorial contesta a proposta de ampliar o despacho térmico no Brasil, alertando que o investimento bilionário oferece ganhos insuficientes para a segurança energética nacional.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) está sob pressão enquanto se prepara para definir, em 13 de maio, novas diretrizes para o suprimento de energia a partir de 2027. No centro do debate está o aumento do acionamento de usinas termelétricas como complemento à geração hidrelétrica.
A medida, se aprovada, deve gerar um custo adicional de 5,4 bilhões de reais, gerando forte resistência entre os agentes do mercado. O questionamento principal é técnico: projeções indicam que esse aporte financeiro resulta em uma elevação de apenas 2% nos níveis de reserva dos reservatórios.
Manifesto critica eficiência econômica
Sob a bandeira do manifesto Segurança Energética na Medida Certa, associações que representam geradores, comercializadores e consumidores exigem uma revisão dos critérios. As entidades argumentam que o atual dispêndio de 51,6 bilhões de reais em geração térmica já assegura o abastecimento do Sistema Interligado Nacional, mesmo diante de eventos hidrológicos severos.
Para o setor, o custo-benefício dessa expansão é insustentável. A preocupação é que a decisão resulte em uma transferência de renda desproporcional entre consumidores e geradores, sem trazer o ganho real de confiabilidade operacional esperado pelos órgãos governamentais.
Impacto nos custos de energia e competitividade
A elevação dos encargos setoriais preocupa não apenas pelo efeito direto nas contas de luz. No mercado livre de energia, a incerteza tarifária coloca em xeque a competitividade da indústria nacional. No ambiente regulado, a pressão sobre o consumidor residencial torna-se um componente inflacionário indesejado.
O consenso entre os signatários do documento — que reúne nomes de peso como Abraceel, ABEEólica e Abrace Energia — é de que o planejamento para o biênio deve priorizar a eficiência econômica. O setor reforça que a busca pela segurança energética não pode negligenciar a modicidade tarifária, essencial para a retomada do crescimento econômico do país.
O resultado do pleito no CMSE será determinante para os rumos do planejamento energético brasileiro, servindo como um teste de maturidade para o equilíbrio entre a estabilidade do sistema e a viabilidade dos preços aplicados ao consumidor final.






















