Porto Alegre inicia fase de testes operacionais com biocombustível de baixo carbono em sua frota de ônibus, visando a descarbonização imediata do sistema de transporte público municipal.
A capital gaúcha deu um passo estratégico em direção à sustentabilidade urbana. Em uma parceria com a empresa Be8, a prefeitura de Porto Alegre implementou um projeto-piloto focado na utilização do BeVant, um biocombustível avançado voltado para o setor de transportes. O objetivo central é mensurar a eficiência dessa alternativa renovável na redução drástica de emissões de poluentes, sem a necessidade de investimentos estruturais complexos.
A iniciativa, que terá vigência de seis meses, faz parte de um chamamento público conduzido pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana. Durante esse período, ônibus que operam nas linhas da capital serão abastecidos com o combustível renovável, permitindo uma análise precisa sobre a viabilidade técnica e econômica dessa solução frente à rotina intensa das vias urbanas.
Tecnologia de transição e eficiência energética
O grande diferencial do BeVant é a sua característica tecnológica drop-in. Isso significa que o insumo possui compatibilidade total com os motores a diesel que já compõem a frota atual. Consequentemente, as empresas de transporte não precisam realizar adaptações mecânicas nos veículos nem instalar novos pontos de reabastecimento.
Segundo estimativas da fabricante, essa tecnologia tem potencial para substituir completamente o diesel de origem fóssil, alcançando uma mitigação de até 99% na emissão de gases de efeito estufa ao longo de todo o ciclo de vida do combustível.
O presidente da Be8, Erasmo Carlos Battistella, afirmou:
O Be8 BeVant permite reduzir significativamente as emissões utilizando os veículos, motores e a infraestrutura já existentes, sem comprometer a performance operacional.
Avaliação em condições reais
O projeto não se limita apenas a medir o impacto ambiental. A Prefeitura, por meio da EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação), pretende coletar dados precisos sobre o comportamento do motor, o consumo por quilometragem e a logística de abastecimento sob condições reais de tráfego.
O secretário municipal de Mobilidade Urbana, Adão de Castro Júnior, destacou a importância da iniciativa para o planejamento da cidade:
Porto Alegre precisa conhecer, na prática, o desempenho das diferentes tecnologias de baixa emissão disponíveis no mercado.
Um caminho complementar à eletrificação
Embora a eletrificação da frota seja uma meta recorrente em discussões de mobilidade urbana, o uso do biocombustível surge como um aliado imediato. Enquanto a transição para ônibus elétricos exige aportes financeiros vultosos e modificações estruturais profundas, o BeVant oferece uma solução de impacto imediato para reduzir a pegada de carbono dos veículos a combustão que já circulam hoje.
Com a validação desta fase de testes, a administração municipal poderá fundamentar melhor as próximas etapas da modernização do sistema de transporte. A utilização bem-sucedida dessa fonte de energia renovável reforça o compromisso de Porto Alegre com metas mais ambiciosas de sustentabilidade e eficiência operacional, consolidando um modelo de transição energética viável e replicável para outras regiões do país.















