O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) pode ativar pela primeira vez um plano emergencial para reduzir a geração de energia. A medida visa garantir a estabilidade do sistema em cenários de baixo consumo e excesso de oferta.
O próximo domingo, Dia das Mães, pode marcar um momento histórico para a gestão da energia no Brasil. Com projeções de menor demanda elétrica, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) considera implementar, pela primeira vez, seu Plano Emergencial de Gestão de Excedentes. Esta ação visa evitar desequilíbrios na rede de distribuição, que podem surgir quando a geração de energia supera significativamente o consumo disponível.
A iniciativa, focada na redução da geração de usinas Tipo III, conectadas diretamente às distribuidoras, é uma resposta ao crescente volume de energia gerada por fontes como a solar e eólica, combinada a períodos de baixa carga. O cenário é particularmente preocupante em feriados e domingos, quando o consumo naturalmente diminui.
Plano de Contingência e Desafios Operacionais
O plano foi concebido pelo ONS e aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em novembro de 2026. Ele se tornou crucial após um episódio no Dia dos Pais de 2025, quando o operador precisou reduzir drasticamente a geração eólica e solar, além de minimizar a geração hídrica, para manter a segurança operacional do sistema.
Christiano Vieira, diretor de Operação do ONS, explicou que a entidade monitora atentamente as condições de demanda para o próximo domingo, antecipando uma possível carga mínima diurna reduzida no Sistema Interligado Nacional (SIN). A confirmação de um possível corte de energia será comunicada no sábado, conforme o protocolo emergencial.
A Complexidade da Carga Líquida
A preocupação do ONS reside na chamada “carga líquida”. Este indicador representa a carga total do SIN subtraindo a parcela atendida por recursos que o operador não controla diretamente, como a micro e minigeração distribuída (MMGD), pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e térmicas não despachadas centralizadamente. Uma carga líquida muito baixa limita o espaço para acomodar a geração centralizada essencial para atributos como controle de frequência e tensão.
Usinas Tipo III são aquelas que não possuem programação centralizada pelo ONS. Em caso de necessidade, o ONS informará as distribuidoras sobre o montante de restrição, e estas, por sua vez, coordenarão a redução da geração junto às usinas conectadas em suas redes. O ONS reitera que essa é uma medida excepcional, acionada em última instância para preservar a estabilidade do SIN e garantir o fornecimento de energia à sociedade.
Projeções e Perspectivas Futuras
Empresas como a Newcom, uma joint venture da Comerc Energia e Copersucar, estão alertando seus clientes sobre a possibilidade de cortes de geração. Lucas Villela, gerente de Originação da Newcom, indica que este mecanismo pode se tornar mais frequente no futuro, influenciado por fatores como temperaturas e o comportamento da demanda de energia.
A Newcom compara o cenário do próximo domingo com o Dia dos Pais de 2025, apontando uma potencial margem apertada devido à combinação de baixa carga e alta MMGD. Fatores como a previsão de queda de temperatura, o efeito do Dia das Mães no consumo e a possível elevação da MMGD são considerados para o cenário de atenção.
Protocolo de Acionamento e Prevenção
Antes de restringir as usinas Tipo III, o ONS segue um rigoroso protocolo que inclui a redução de térmicas e hidrelétricas centralizadas, eólicas e solares não-Tipo III, e outras flexibilizações. O processo começa com alertas preventivos às distribuidoras, entre dois e sete dias antes, evoluindo para uma decisão final no dia anterior à possível aplicação da restrição, baseada em dados atualizados de carga e geração.
A potencial ativação deste plano sublinha a crescente necessidade de mecanismos robustos para gerenciar a dinâmica do setor elétrico. Com a expansão contínua da geração sustentável e flutuações na demanda, o ONS busca assegurar a segurança e a continuidade do abastecimento, adaptando-se aos novos desafios de um sistema cada vez mais complexo.























