O Nordeste desponta na corrida pelos leilões de baterias de dezembro, com mais de 70% dos projetos de armazenamento de energia já cadastrados, marcando um recorde no setor.
A busca por soluções de armazenamento de energia ganhou um novo capítulo no Brasil, com um volume inédito de projetos cadastrados para os próximos leilões de baterias. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) revelou, na última segunda-feira, um impressionante número de mais de 6 mil propostas, evidenciando o crescente interesse e a urgência do setor elétrico brasileiro em integrar tecnologias como os Sistemas de Armazenamento de Energia em Bateria (BESS).
Nesse cenário promissor para a energia limpa, o Nordeste se destaca como a região mais visada pelos desenvolvedores. Com sua vasta capacidade de geração renovável, principalmente solar e eólica, a região consolida sua posição estratégica para o futuro da matriz energética nacional.
A magnitude do engajamento reflete-se nos números: dos 296,8 GW de potência total cadastrada, notáveis 71,1% provêm de projetos localizados no Nordeste. O Sudeste aparece em segundo lugar, com 18,8%, enquanto as demais regiões somam 10,1%. Essa concentração na região nordestina sublinha seu papel de liderança na transição para uma energia sustentável.
Dois Leilões de Baterias em Dezembro
Os certames, agendados para dezembro, preveem a contratação de sistemas de BESS em duas frentes distintas. O primeiro leilão, em 2 de dezembro, focará em soluções que empreguem conteúdo local, conforme os critérios estabelecidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para esta categoria, foram registrados 5.296 projetos, totalizando 261,4 GW.
Dois dias depois, em 4 de dezembro, ocorrerá o segundo leilão, aberto a todos os tipos de projetos. Este recebeu 5.734 cadastros, somando 281 GW de potência. É importante notar que uma parcela considerável, cerca de 245 GW, está inscrita em ambos os certames, refletindo a flexibilidade e a ambição dos proponentes. Contudo, a EPE ainda realizará a habilitação técnica, o que significa que nem todas as propostas devem avançar para a fase final.
Recorde de Participação e Debate sobre Custos
A expressiva adesão é um recorde de participação para leilões no setor elétrico brasileiro. A EPE atribui essa marca à natureza modular dos sistemas de baterias e à simplificação no processo de cadastramento, que dispensou licenças ambientais e certificações de projeto iniciais. A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), por sua vez, enxerga o fenômeno como um sinal da confiança dos investidores no potencial do Brasil e na capacidade do país de viabilizar projetos de grande escala.
Os próximos passos incluem a consulta pública dos editais pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que segue até 14 de setembro. A divulgação da nota técnica sobre a capacidade de escoamento está prevista para 28 de setembro, enquanto a habilitação técnica dos projetos deverá ser concluída até 17 de novembro.
Enquanto a corrida pelos leilões de armazenamento de energia avança, a questão da divisão dos custos associados aos sistemas de baterias tem gerado debates acalorados no Congresso Nacional.
No Senado, por exemplo, o substitutivo do PL 5017/2019 propõe derrubar um artigo da lei 15.269/2025 que impõe aos geradores a totalidade dos custos de contratação dos sistemas. Paralelamente, na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 3.716/2026, de autoria do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), sugere que o rateio desses encargos seja estendido também aos usuários finais.
Essa discussão é crucial, pois as empresas interessadas nos leilões e os próprios geradores de energia buscam um modelo de custeio mais equitativo. A Absae critica abertamente a alocação exclusiva dos custos aos geradores, classificando tal regra como “excepcional” e “anti-isonômica”, o que ressalta a importância de um arcabouço regulatório que promova a sustentabilidade e a atratividade dos investimentos.
Impacto e Perspectivas Futuras
A enorme demanda por projetos de armazenamento de energia, especialmente no Nordeste, sinaliza um futuro promissor para a transição energética brasileira. A adoção massiva de BESS é essencial para a estabilidade da rede, permitindo maior integração de fontes intermitentes como solar e eólica, e garantindo a segurança do suprimento.
Os resultados desses leilões de baterias em dezembro, juntamente com a definição de um modelo de custeio justo e equilibrado, serão determinantes para acelerar a descarbonização e fortalecer a infraestrutura de energia limpa no país. O sucesso dessas iniciativas reforçará a posição do Brasil como líder global em energia renovável, impulsionando a inovação e o desenvolvimento econômico sustentável.



















