A distribuidora Light decidiu iniciar seu plano de contingência para o verão dois meses antes do previsto, buscando mitigar os riscos operacionais causados pela influência do El Niño.
A Light, responsável pelo abastecimento de energia de cerca de 4,3 milhões de unidades consumidoras em 31 cidades fluminenses, tomou uma medida preventiva estratégica. O tradicional Plano Verão, que habitualmente começa em novembro, teve seu cronograma antecipado para setembro, uma resposta direta às previsões meteorológicas de eventos extremos associados ao fenômeno El Niño.
O período de altas temperaturas, que naturalmente eleva a demanda por energia e sobrecarrega o sistema de distribuição, exigiu uma postura mais ágil da concessionária. A empresa busca, com essa antecipação, reforçar a resiliência de sua rede elétrica diante da possibilidade de tempestades intensas e ventos fortes, que frequentemente impactam a estabilidade do fornecimento.
Monitoramento e reforço operacional
A estratégia da companhia envolve um acompanhamento meteorológico mais rigoroso, realizado em parceria com empresas especializadas. A ideia é posicionar equipes de atendimento preventivamente, baseando-se em alertas climáticos específicos antes mesmo que as falhas ocorram. Além disso, houve um incremento no efetivo de campo e no suporte oferecido pelo Centro de Operações Integrado (COI), além da reserva de geradores emergenciais.
A empresa planejou o aumento no volume de ocorrências para reforçar os recursos em campo e no Centro de Operações Integrado, além de intensificar as manutenções preventivas para garantir maior resiliência da rede, afirma João Paulo Parreira, superintendente de Operações Integradas da Light.
O plano de ação não é pontual. Nos últimos dois anos, a distribuidora intensificou a manutenção preventiva em 45%, realizando vistorias em mais de 11 mil quilômetros de linhas e instalando cerca de 250 novos dispositivos de proteção. Somado a isso, um trabalho conjunto com a Comlurb garante a poda de vegetação próxima aos cabos, evitando danos causados por queda de galhos durante tempestades.
Desafios estruturais e investimentos futuros
Com a renovação de sua concessão por mais três décadas, a Light projeta um ciclo de investimentos de R$ 10 bilhões até 2030. O montante será destinado à modernização tecnológica, automação e preparação do sistema para demandas crescentes, como a infraestrutura necessária para data centers e tecnologias de inteligência artificial.
No entanto, o cenário operacional ainda enfrenta obstáculos graves, como o furto de cabos e a irregularidade no consumo. Em 2026, os furtos de fiação geraram um prejuízo de quase R$ 10 milhões, levando a empresa a substituir gradualmente o cobre pelo alumínio para desestimular ações criminosas. Paralelamente, o combate ao furto de energia continua sendo um gargalo, com a empresa já tendo regularizado 179 mil ligações clandestinas apenas nos oito primeiros meses do ano, em um esforço para sanar perdas financeiras bilionárias.
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