O segundo leilão de gás natural da União, agendado para 2027, disponibilizará um volume 60% superior ao ofertado no certame de estreia realizado neste mês de outubro.
A Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) já projeta um crescimento expressivo na oferta de gás natural proveniente dos contratos de partilha de produção do pré-sal. Durante o balanço do primeiro leilão promovido pela estatal, a gestão confirmou que o próximo certame, previsto para 2027, colocará à disposição do setor produtivo cerca de 1,8 milhão de metros cúbicos diários do insumo.
O volume representa um salto de aproximadamente 63% em comparação aos 1,1 milhão de metros cúbicos diários disponibilizados na licitação inaugural, realizada na última quinta-feira (22). O evento marcou uma mudança histórica na política energética do país, permitindo que as empresas tivessem acesso direto ao recurso federal, que anteriormente era comercializado quase integralmente por meio de acordos legados.
O sucesso do modelo inédito e a disputa de mercado
A rodada inicial de licitações foi considerada um sucesso absoluto pela diretoria da estatal. Todos os 110 lotes colocados na praça foram integralmente arrematados por 23 companhias de oito segmentos industriais estratégicos, previamente selecionados pelo Governo Federal para garantir o abastecimento de setores intensivos em energia, como siderurgia, química, cerâmica e fertilizantes.
O formato regulamentado pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) estabelece uma agenda de curto prazo com certames anuais até 2030, abrindo espaço para contratos de longo prazo na sequência. A estratégia governamental visa mitigar gargalos históricos de fornecimento e aproximar a produção das riquezas do pré-sal da cadeia produtiva nacional.
A diretoria da PPSA afirmou:
“A PPSA, que colocou uma margem limitada no seu preço inicial, vai arrecadar mais porque a indústria é capaz de pagar mais. Nós hoje descobrimos qual é a diferença entre o custo que a PPSA tinha e a capacidade de pagamento de cada um daqueles segmentos. Nós conseguimos descobrir que eles são capazes ainda de pagar mais, tanto que a competição levou a isso”
Impacto na competitividade e próximos passos
Com o ágio registrado em quatro das cinco disputas realizadas, a PPSA conseguiu mapear com precisão a disposição a pagar dos diferentes segmentos industriais. A nova dinâmica substitui a antiga exclusividade da Petrobras na aquisição dessa parcela pública, injetando dinamismo e concorrência em um mercado historicamente concentrado.
A expectativa da União é que a ampliação gradual da oferta e a concorrência direta reduzam os custos de produção para o empresariado brasileiro. O presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, destacou que a iniciativa fortalece a indústria local frente ao mercado internacional, blindando o setor produtivo contra a concorrência externa desleal e impulsionando as exportações.













