A usina catarinense Foz do Chapecó oficializou sua entrada no mercado global de ativos ambientais ao vender suas primeiras unidades de crédito de carbono para compradores internacionais.
A UHE Foz do Chapecó, localizada no estado de Santa Catarina, deu um passo importante em direção à valorização de seus ativos sustentáveis. Com uma capacidade instalada de 855 MW, a hidrelétrica começou a exportar créditos de carbono através de uma parceria estratégica com a suíça Ameron Energies AG, que atua como mediadora no comércio desses certificados.
A iniciativa, concretizada com o suporte da Axia Energia — detentora de 40% da operação do ativo —, faz parte de um plano mais amplo de diversificação de receitas e posicionamento internacional. Ao viabilizar essa venda, a companhia busca integrar seus projetos de energia limpa a um sistema financeiro que reconhece e bonifica a redução de emissões de gases de efeito estufa.
Impacto na transição energética e mercado global
Nesta rodada inaugural, foram negociadas 10 mil unidades de crédito. Cada um desses ativos corresponde a uma tonelada de carbono que deixou de ser lançada na atmosfera, graças ao funcionamento da hidrelétrica, que é certificada pelo padrão internacional VCS (Verified Carbon Standard).
Sobre a relevância estratégica da operação, “esta primeira comercialização representa um marco importante para ampliar a presença dos créditos de carbono brasileiros nos mercados internacionais”, avaliou Eduardo Posch, diretor de Mercado de Carbono da Ameron Energies. Ele reforçou que o país possui vantagens competitivas, dado que quase 90% da sua matriz elétrica é composta por fontes renováveis.
Compromisso com o futuro
A gestão da Foz do Chapecó Energia (FCE) encara o projeto como um incentivo adicional para que o setor de energia brasileiro continue a ser visto como referência em sustentabilidade. Segundo Cecilia Essinger, executiva da Axia Energia, a conexão com o mercado estrangeiro é um passo natural para quem investe na descarbonização da economia.
Otávio Rennó Grilo, diretor da Foz do Chapecó Energia, complementou que o objetivo é manter a usina como um ativo de referência. A empresa pretende usar o sucesso dessa primeira transação como base para novos negócios, garantindo que o valor ambiental gerado pela força das águas em solo catarinense continue sendo validado por instituições de prestígio global nos próximos anos.























