Governo publicará portaria para leilão de baterias em 15 dias, afirma ministro Alexandre Silveira durante Fórum Esfera Brasil em Guarujá (SP)

Governo publicará portaria para leilão de baterias em 15 dias, afirma ministro Alexandre Silveira durante Fórum Esfera Brasil em Guarujá (SP)
Crédito foto: Divulgação/Esfera Brasil
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O governo federal anuncia a publicação iminente da portaria para o aguardado leilão de baterias, um marco crucial para a energia limpa e o armazenamento de energia no Brasil. A medida visa fortalecer a indústria nacional, sem subsídios governamentais, prometendo um novo capítulo para a transição energética do país.

São Paulo, maio de 2026 – Em um anúncio que reverberou positivamente entre os entusiastas da energia limpa e da sustentabilidade, o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) confirmou nesta sexta-feira (22), durante painel da 5ª edição do Fórum Esfera Brasil, em Guarujá (SP), que a portaria para o leilão de baterias será publicada em apenas 15 dias. Este certame representa um passo significativo para a infraestrutura energética brasileira, especialmente no que tange ao armazenamento de energia.

 

Durante o painel, o ministro afirmou ainda que o Brasil não deve repetir, com minerais críticos, o modelo histórico de exportação que caracterizou o minério de ferro em estado bruto. Para Silveira, o país deve buscar uma pauta exportadora de maior valor agregado, que combine incentivo à indústria nacional, soberania, emprego e renda.

“Manufaturar minerais críticos nos EUA custa 2,5 vezes mais que no Brasil”, destacou o ministro, que participou de painel mediado pelo jornalista Sidney Rezende.

 

Ao longo dos debates promovidos pelo evento, também foi reforçada a importância das agências reguladoras para o modelo econômico brasileiro, sobretudo em setores que dependem de investimento privado, segurança jurídica e previsibilidade de longo prazo. Orçamento e autonomia são eixos essenciais das agências, segundo os debatedores.

O painel “O custo da ineficiência: como a modernização regulatória pode destravar o Brasil” foi formado pela diretora da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) Larissa Oliveira Rêgo; pelo diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Guilherme Theo Sampaio; por Sandoval Feitosa, diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica); e por Artur Watt Neto, diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Para os diretores, as agências são estruturas indispensáveis sobretudo em setores que dependem de investimento privado, segurança jurídica e previsibilidade de longo prazo. “As atividades das agências são essenciais ao Estado brasileiro e, em sendo essenciais, não podem ser contingenciadas”, afirmou Sandoval, que destacou que o tema conta com respaldo do TCU (Tribunal de Contas da União) e de congressistas.

Sampaio afirmou que os investidores buscam estabilidade, segurança, instituições fortes, capacidade técnica e orçamento adequado nas agências. “Todo investidor, seja nacional ou estrangeiro, quando olha para o Brasil, quer ver três coisas: estabilidade, previsibilidade e segurança”, afirmou.

Matriz energética

No painel sobre o futuro da matriz energética brasileira, o diretor da Aneel e mediador do debate, Fernando Mosna, ouviu autoridades e executivos debaterem as perspectivas do setor quanto às fontes renováveis. Para Elbia Gannoun, CEO da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), o Brasil está bem-posicionado para a transição energética, mas precisa de ajustes importantes, como regulatórios e legais que permitam acelerar tais investimentos.

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“Nós temos o verdadeiro bônus verde por ter a energia abundante e competitiva. O Brasil sai disparado na frente dos outros países, mas temos alguns desafios.”

Já o CEO da Eneva, Lino Cançado, destacou a necessidade de resiliência nas fontes renováveis. “A economia mundial hoje em dia requer energia 24 horas por dia, sete dias na semana. Além desse ‘bônus verde’ a gente também tem que garantir que a energia seja entregue”, afirmou.

Adriano Pires, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura, apontou os gargalos de transmissão, a necessidade de ampliar a capacidade de armazenar energia, a lentidão regulatória e a insegurança jurídica entre os desafios. “O desafio do Brasil é ser amigável ao investimento privado”, disse.

 Pilares do desenvolvimento

O senador e presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, Marcos Rogério (PL-RO), afirmou não haver como falar em inovação, produtividade e nova economia sem discutir infraestrutura, “que deve puxar o desenvolvimento”. Rogério afirmou, no entanto, que o custo logístico no Brasil está no patamar de 15,5% do PIB, enquanto entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) isso varia entre 8% e 12%. É fazendo essa conta que se vê “o quanto o Brasil perde em competitividade por ter uma infraestrutura ineficiente”.

 Para o ministro George Santoro (Transportes), projetos com matriz de risco bem definida, boa modelagem econômica e regulação adequada atraem investidores mesmo em cenários difíceis. Ele disse ainda que há uma carteira relevante de concessões rodoviárias e ferroviárias, corredores logísticos e R$ 240 bilhões já contratados em obras rodoviárias. Vander Costa, presidente da CNT (Confederação Nacional do Transporte), afirmou que a infraestrutura da nova economia necessária para o desenvolvimento não se limita apenas à de transportes, mas também às de saneamento, hospitalar e transmissão de energia, por exemplo.

 O ministro Vinicius de Carvalho (Controladoria-Geral da União) destacou o uso da ferramenta de inteligência artificial Alice para analisar editais, identificar riscos e orientar correções antes da contratação, com economia estimada em mais de R$ 2 bilhões. Em outra frente, especialistas apontaram a migração da capacidade tecnológica dos grandes data centers para dispositivos na ponta, como celulares, carros e computadores, o que pode reduzir custos e ampliar produtividade.

Polarização em debate

O fórum também abriu espaço para discutir democracia, polarização e redes sociais. O publicitário Lula Guimarães, marqueteiro da campanha de Guilherme Boulos à Prefeitura de São Paulo em 2024, afirmou que a polarização é um fenômeno global e que as redes sociais “engajam muito mais pelo ódio do que pelo amor”. “Temos de ter responsabilidade, não dar mole para fake news, para discurso de ódio”, disse.

 Já o jornalista Pedro Doria avaliou que algoritmos de recomendação de redes sociais “calam as vozes moderadas” e impulsionam as mais radicais. Já ferramentas de IA como ChatGPT e Gemini partem de premissas que sempre puxam para “o canto da moderação”. “No momento que a tecnologia fizer o flip, o jogo pode mudar”, disse. “Tem jeito, sim. O que está faltando é bom senso”, afirmou o publicitário Duda Lima.

Experiência e renovação

Na sequência, a deputada federal Tabata Amaral e a ex-ministra Marina Silva debateram os desafios relacionados a polarização, violência política e reconstrução institucional.

Para Marina, é preciso construir consensos em defesa da democracia e da sustentabilidade: “A mudança do clima é uma realidade” e “todos terão que ser ‘sustentabilistas’”, afirmou.

 Tabata, por sua vez, chamou atenção para o avanço do crime organizado e defendeu mais coordenação institucional.

“Se não tivermos uma coordenação do governo federal com os governos e muito focada em inteligência financeira, vamos perder essa guerra para o crime organizado”, apontou.

 “Soluções permanentes”

“O Brasil não sofre mais por falta de diagnóstico, nossos problemas já são conhecidos. O que falta, na maioria das vezes, é coordenação suficiente para transformá-los em soluções permanentes”, disse a CEO da Esfera Brasil, Camila Funaro Camargo Dantas, na abertura do Fórum. Ela apontou a mobilidade urbana como uma das grandes questões estruturais do país e destacou que congestionamentos consomem entre 1,5% e quase 3% do PIB por ano. “O Brasil já demonstrou, em diferentes momentos, que consegue avançar quando constrói coordenação institucional, previsibilidade regulatória e capacidade de execução”, afirmou.

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