Investimentos estratégicos dos EUA no Paraguai unem tecnologia de IA e energia nuclear, enquanto o Brasil consolida o Porto de Santos como hub global para o abastecimento com etanol.
O cenário energético sul-americano atravessa uma transformação significativa, impulsionada por interesses geopolíticos norte-americanos e pela busca brasileira por soluções de baixo carbono. No Paraguai, uma parceria entre a norte-americana Crusoe e a local Araico marca o início de um projeto ambicioso: construir infraestrutura de computação para inteligência artificial, utilizando a energia da hidrelétrica binacional de Itaipu. O movimento, articulado pelo Departamento de Estado dos EUA, visa contornar as dificuldades internas de expansão de data centers naquele país.
Paralelamente, o Brasil dá um passo decisivo em direção à descarbonização do transporte marítimo. O Porto de Santos, principal terminal do país, iniciou operações regulares de abastecimento de navios com etanol. A iniciativa, que conta com a participação de gigantes como a CMA CGM e a Copersucar, posiciona a bioenergia nacional como um ativo estratégico frente às futuras exigências da Organização Marítima Internacional (IMO) para a redução de emissões globais.
Conexão IA e Itaipu no Paraguai
A estrutura planejada para o Paraguai, chamada de Iguazú AI City, será erguida no Alto Paraná. A expectativa é que o projeto processe dados para clientes de nuvem nos EUA e na América Latina. O uso do excedente da parcela paraguaia de Itaipu é o grande atrativo, dado que o Paraguai registra sobras significativas de energia que, historicamente, são cedidas ao Brasil.
Apesar da magnitude, o projeto ainda enfrenta impasses regulatórios. A estatal paraguaia ANDE ressalta que não existe, até o momento, uma tarifa definida para cargas desse porte, o que depende diretamente da revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu.
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A instalação utilizará diretamente uma das maiores fontes de energia hidrelétrica 100% renovável do mundo e atenderá clientes de nuvem nos Estados Unidos e na América Latina. Este é potencialmente um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai.
Aposta nuclear e minerais críticos
A cooperação entre Washington e Assunção não se restringe à tecnologia de dados. O governo norte-americano anunciou um aporte de US$ 12 milhões da Uranium Energy Corp para a exploração de minerais críticos no país vizinho, uma manobra desenhada para conter a influência de competidores estratégicos na região. Além disso, as partes iniciaram conversas para o “Acordo 123”, que criaria o arcabouço legal necessário para que empresas dos EUA exportem tecnologia e materiais nucleares para fins pacíficos ao Paraguai.
Enquanto o Paraguai se alinha aos EUA, o Brasil observa de perto as mudanças no xadrez dos recursos energéticos. O sucesso da operação de abastecimento do navio CMA CGM IRON em Santos — a primeira embarcação do mundo com motor tricombustível certificado para etanol — demonstra a viabilidade técnica de transformar portos brasileiros em pontos de recarga renovável. O projeto ganha relevância adicional conforme a IMO se prepara para discutir, ainda em dezembro, novas metas globais para a precificação de emissões no frete marítimo.











