O Brasil está no rumo certo com a abertura do mercado de gás, com discussões sobre acesso à infraestrutura e desverticalização elogiadas por executivo da Equinor.
O cenário do mercado de gás natural no Brasil tem recebido avaliações positivas de grandes players internacionais. Recentemente, Philippe Mathieu, vice-presidente executivo de E&P internacional da Equinor, destacou que o país está progredindo adequadamente nas discussões sobre a desverticalização e o acesso à infraestrutura, elementos cruciais para o desenvolvimento do setor.
As reformas em pauta são vistas como essenciais para impulsionar a competição e assegurar que produtores tenham caminhos claros para levar o gás natural até os consumidores, garantindo um ambiente mais dinâmico e eficiente para o fornecimento de energia limpa.
Reformas Essenciais para um Mercado Dinâmico
Em entrevista concedida à agência eixos, durante o Offshore Northern Seas (ONS) 2026 em Stavanger, Noruega, Mathieu enfatizou que a base dos debates atuais é sólida. Para a Equinor, é fundamental estabelecer as condições corretas que permitam o florescimento do mercado de gás brasileiro, beneficiando tanto a indústria quanto os consumidores finais.
A experiência europeia, com a abertura de seus mercados e a entrada de terceiros na infraestrutura, serve de paralelo. A própria Noruega, onde a Equinor já cedeu a propriedade de ativos de transporte para criar um ambiente competitivo de acesso, é um exemplo de sucesso. A harmonização de regimes fiscais e regulatórios, processo que o Brasil também vem adotando com suas regras estaduais, é outro pilar fundamental para esse desenvolvimento.
É muito importante garantir as premissas corretas para desenvolver um mercado de gás no Brasil.
Potencial dos Clusters de Produção
Além da estrutura do mercado de gás, o executivo da Equinor apontou a importância de regulamentações que viabilizem a exploração de descobertas menores, especialmente no pré-sal, através da formação de clusters de produção. Essa estratégia, comum no Mar do Norte, envolveria a conexão de várias acumulações a uma única plataforma, por meio de sistemas de tiebacks.
Para que esses projetos menores sejam economicamente viáveis, contudo, é preciso que o Brasil ajuste seu regime fiscal e garanta o acesso adequado à infraestrutura. As medidas aplicadas a grandes empreendimentos nem sempre se adequam a iniciativas de menor porte, exigindo incentivos comerciais e um arcabouço regulatório flexível.
Equinor: Uma Empresa de Energia Integrada no Brasil
A ambição da Equinor no Brasil vai além do petróleo e gás. A companhia busca consolidar-se como uma empresa de energia integrada, investindo fortemente em fontes renováveis. Nesse contexto, a empresa já analisa a participação nos próximos leilões de baterias, programados para dezembro, sinalizando interesse em soluções de armazenamento de energia.
Desde 2023, com a aquisição da Rio Energy, a empresa norueguesa já marca presença significativa no mercado de energia elétrica brasileiro, operando projetos de energia solar e eólica onshore. A meta é expandir as operações de comercialização, combinando posições em gás e diversas tecnologias de geração, reforçando sua atuação abrangente no setor energético.
Exploração e Perspectivas Futuras
A busca pela reposição de reservas também está no radar da Equinor. A empresa acompanha de perto os leilões da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), previstos para 7 de outubro, que ofertarão blocos no pré-sal (4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da Produção – OPP) e áreas adicionais (6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão – OPC). O foco exploratório principal será nas Bacias de Campos e Santos, embora a Bacia de Pelotas também esteja sob avaliação para futuras fronteiras.
A Equinor mantém a confiança na estabilidade e previsibilidade do ambiente de negócios brasileiro, sem expectativas de que as eleições presidenciais influenciem sua estratégia de longo prazo. Contudo, Mathieu alertou sobre a importância de evitar medidas que aumentem a percepção de risco, como a imposição de impostos de exportação sobre o petróleo. A recente mudança na liderança da Equinor Brasil, com a chegada de Nina Koch como CEO, não alterará o foco estratégico, que permanece no desenvolvimento do campo de Raia e na expansão da produção do campo de Bacalhau, na Bacia de Santos, que iniciou operações em outubro de 2025.
Com um dos principais projetos de gás natural do país, o campo de Raia, com operação prevista para 2028 e capacidade de suprir até 15% da demanda nacional (cerca de 16 MMm³/dia), a Equinor se posiciona como um ator chave na transição e na segurança energética do Brasil, impulsionando a abertura e modernização do seu mercado de gás.
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