Energia limpa dos rios amazônicos surge como alternativa para locais remotos.
A Energia Pesquisa Energética (EPE) apresentou um estudo promissor nesta segunda-feira, 18 de maio, sobre o potencial da energia hidrocinética no Brasil. A tecnologia, que aproveita o movimento da água para gerar eletricidade sem a necessidade de grandes barragens, desponta como uma alternativa viável para suprir a demanda energética em sistemas isolados e regiões remotas, especialmente na Amazônia.
Este levantamento técnico-econômico busca reduzir a dependência de diesel em comunidades isoladas e impulsionar projetos de micro e minigeração distribuída (MMGD). A análise abrange o cenário tecnológico global, o potencial hidrocinético brasileiro e experiências internacionais, oferecendo um panorama completo para a implementação da tecnologia em território nacional.
Potencial da Hidrocinética na Amazônia
As turbinas hidrocinéticas funcionam através de rotores ou hélices submersos em rios, canais ou áreas costeiras com fluxo de água. Diferente da energia hidrelétrica convencional, elas não exigem reservatórios ou grandes estruturas, sendo sistemas modulares de pequeno a médio porte ideais para locais onde a correnteza é suficiente para gerar energia.
O estudo da Energia Pesquisa Energética (EPE) aponta a Amazônia como uma região com grande potencial para essa tecnologia, graças à abundância de recursos hídricos. Estudos anteriores, como os do Cerpch em 2021, já indicavam as áreas de maior altitude dos rios amazônicos, com velocidade média de 1,5 m/s, como propícias para o aproveitamento hidrocinético.
Desafios e Oportunidades
Apesar do potencial, a energia hidrocinética ainda enfrenta obstáculos. A baixa maturidade comercial, a escassez de fabricantes e as dificuldades de instalação e ancoragem em ambientes de correnteza intensa são alguns dos desafios. A intermitência da geração, a sazonalidade dos rios e a influência de eventos climáticos extremos também exigem análises hidrológicas detalhadas.
“Estudos ambientais e processos de licenciamento são etapas essenciais para viabilizar projetos dessa natureza.”
Economicamente, a hidrocinética pode se tornar competitiva frente à geração a diesel em sistemas isolados, especialmente em arranjos híbridos. A modelagem da Energia Pesquisa Energética (EPE) estima um Custo Nivelado de Energia (LCOE) de R$ 1.540/MWh, inferior aos R$ 2.000/MWh do diesel, sugerindo viabilidade econômica. Um investimento estimado de R$ 15 milhões para um projeto de 273 kW instalados, utilizando quatro turbinas de 70 kW, reforça essa perspectiva.
Contudo, a transição energética dos sistemas isolados para soluções híbridas renováveis pode impactar a competitividade da hidrocinética. Ainda assim, as metas de renovabilidade abrem espaço para sistemas 100% renováveis, onde a hidrocinética pode ter um papel complementar. Em aplicações conectadas à rede, o custo ainda é um limitador no curto prazo.
A consolidação da energia hidrocinética no Brasil, no entanto, depende de mais estudos, projetos-piloto e evolução regulatória. A tecnologia é vista como estratégica para a expansão de fontes renováveis, ampliação do acesso à energia e para a descarbonização do setor elétrico, fortalecendo a geração distribuída e complementando a matriz energética nacional.























