Estudo da Aurora Energy Research projeta impacto financeiro bilionário no setor elétrico brasileiro em 2026 devido a variações climáticas severas.
O setor de energia renovável no Brasil pode enfrentar um período de elevada volatilidade e prejuízos financeiros significativos no final de 2026. Segundo levantamento da consultoria Aurora Energy Research, a incidência de um forte evento de El Niño tem potencial para elevar o índice de curtailment — o corte intencional de energia gerada — a patamares alarmantes.
De acordo com as projeções, o cenário de referência, que estimava um índice de 17% para o desperdício de geração, pode saltar para 25% diante das condições climáticas adversas. Esse agravamento resultaria em prejuízos superiores a R$ 8 bilhões, dobrando os custos operacionais previstos anteriormente para o mercado de energia limpa.
O impacto nas fontes solar e eólica
O fenômeno climático, que apresenta 81% de chance de atingir seu ponto máximo no final do próximo ano conforme dados da NOAA, impacta diretamente a produtividade dos parques eólicos e solares. Com o clima mais seco, a geração eólica no Nordeste brasileiro deve registrar um ganho de produtividade, subindo de 47% para 52% em seu fator de capacidade.
Contudo, essa maior oferta encontra dificuldades de escoamento. A Aurora Energy Research aponta que o curtailment da energia fotovoltaica pode escalar para 40%, enquanto a eólica onshore deve registrar cortes em torno de 21%. A redução na afluência dos reservatórios hidrológicos, que deve cair para 40% da Média de Longo Termo, acentua o desequilíbrio na rede.
Despacho térmico e o risco de deslocamento
Um ponto de atenção extra na análise é o possível acionamento de usinas térmicas fora da ordem de mérito. O receio é que, diante de uma seca severa combinada ao El Niño, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) precise autorizar geração térmica emergencial, como ocorreu na crise hídrica de 2021.
“Um forte evento de El Niño pode alterar de forma significativa a trajetória do curtailment no Brasil. Nossas modelagens indicam que o curtailment total das fontes renováveis pode alcançar 25% em 2026, muito acima das expectativas atuais”, explica Rodrigo Borges, diretor-executivo da Aurora Energy Research no Brasil.
A consultoria ressalta que a entrada de 3 GW adicionais de potência térmica obrigatória no sistema poderia elevar o desperdício da energia solar em mais seis pontos percentuais. Embora o aumento das temperaturas eleve a demanda por refrigeração no Sudeste, o ganho de eficiência das fontes renováveis durante o período é superior, resultando em um excedente que o sistema atual não consegue absorver, reforçando a necessidade de melhorias na gestão de risco para desenvolvedores e investidores do setor.






















