Relatório do Itaú BBA aponta que a demanda por potência firme elevará o custo marginal de expansão do setor elétrico brasileiro para R$ 240/MWh até 2035.
O sistema elétrico brasileiro atravessa uma mudança estrutural profunda, impulsionada pela expansão acelerada de fontes renováveis variáveis, como a energia solar. Segundo um estudo recente do Itaú BBA, o desafio do país para a próxima década não será apenas gerar energia em volume, mas assegurar a disponibilidade de potência nos horários de pico, o que elevará significativamente o Custo Marginal de Expansão (CME) para cerca de R$ 240/MWh no período entre 2030 e 2035.
O cenário base do banco isola o custo de suprimento energético em R$ 195/MWh. No entanto, ao adicionar a necessidade crítica de capacidade para suprir os momentos de maior estresse da rede — quando a geração solar cai no fim do dia e o consumo permanece elevado —, ocorre um acréscimo de R$ 45/MWh. Essa transição consolida o que o mercado chama de acentuação da “curva do pato”, exigindo recursos que ofereçam maior flexibilidade operacional.
Flexibilidade como palavra de ordem
A análise, que replica o Modelo de Decisão de Investimentos (MDI) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), indica que a expansão do sistema migrará de uma lógica puramente energética para uma combinação híbrida. Recursos como hidrelétricas, termelétricas de resposta rápida, sistemas de armazenamento por baterias e estratégias de resposta da demanda tornam-se essenciais para estabilizar o suprimento.
“O desafio da expansão deixa de ser apenas garantir energia suficiente ao longo do ano e passa a incluir, cada vez mais, a disponibilidade dessa energia nas horas de maior aperto.”
Para o triênio 2027-2029, o modelo do Itaú BBA projeta uma volatilidade persistente, mesmo em condições hidrológicas favoráveis. As termelétricas seguem desempenhando um papel crucial como fonte de respaldo imediato, enquanto as usinas hidrelétricas são valorizadas por sua capacidade de gerenciar o deslocamento da produção conforme a demanda líquida oscila ao longo do dia.
O horizonte de contratações
A necessidade de robustez do sistema sugere que a contratação de potência não será um evento isolado, mas uma demanda recorrente na próxima década. Com a expiração de contratos de usinas existentes, o banco estima que será necessário adicionar cerca de 35 GW de nova capacidade entre 2031 e 2035 para manter a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Apesar da ascensão tecnológica do armazenamento, a visão do Itaú BBA é de complementaridade. Embora o modelo preveja a contratação de 6 GW em baterias de longa duração (quatro horas) até 2035, essa tecnologia não deve substituir integralmente a relevância das térmicas flexíveis. O futuro aponta para um mix de geração onde a inteligência operativa e a diversidade de fontes garantirão o equilíbrio frente a um perfil de consumo cada vez mais complexo e exigente.























