A redução na geração de energia limpa, o curtailment, disparou para quase 19% em abril, superando meses anteriores. A falta de demanda e gargalos na infraestrutura impactam o setor de energia renovável no Brasil.
O setor de energia renovável no Brasil registrou um aumento significativo nos cortes de geração, fenômeno conhecido como curtailment, em abril. De acordo com uma análise divulgada pelo Itaú BBA, o índice atingiu 18,9% da geração total, representando uma escalada em relação aos 15,2% observados em março e aos 9,3% do mesmo período do ano anterior.
Este crescimento acentuado reflete desafios contínuos na integração da energia limpa ao sistema elétrico nacional. A maior parte dos cortes foi impulsionada por restrições energéticas, ligadas principalmente à capacidade de absorção da demanda no sistema.
Causas e Impactos Setoriais
O relatório, elaborado por Filipe Andrade, Luiza Cândida e Victor Cunha do Itaú BBA, detalha que as restrições energéticas foram responsáveis por 15,4% dos cortes em abril. Outros fatores, como eventos de confiabilidade elétrica (1,9%) e indisponibilidades externas (1,5%), mantiveram-se estáveis, mas contribuíram para o cenário.
A elevação dos cortes foi observada de forma generalizada, afetando diversas regiões e empresas. A energia eólica teve curtailment de 15,8% da sua geração, enquanto a energia solar alcançou 25,4%, ambas com tendência de alta mensal. Regionalmente, Ceará e Maranhão apresentaram os maiores cortes eólicos, ultrapassando 33%, enquanto Bahia, São Paulo e Piauí concentraram os maiores impactos na geração solar, com taxas acima de 20%.
A análise da infraestrutura indica que gargalos de escoamento em subestações são um fator crucial. No Ceará, o problema afeta mais as eólicas, e na Bahia, as solares. Em termos de volume absoluto, a Auren foi a empresa mais afetada. Proporcionalmente à geração, Alupar e Eneva se destacaram, com mais de 20% de suas operações impactadas.
Projeções Futuras e Desafios
Embora o primeiro trimestre de 2026 tenha mostrado níveis de cortes mais baixos que o final de 2025, o cenário projetado pelo Itaú BBA permanece desafiador para o mercado de energia renovável. As projeções do banco indicam que os níveis de curtailment devem permanecer próximos a 18% até 2029.
A variação desses índices dependerá do crescimento da demanda de energia. Em um cenário de forte expansão, os cortes podem oscilar entre 8% e 11%. Contudo, em cenários de demanda mais fraca, a taxa pode atingir até 26%. A energia solar é apontada como a principal fonte de restrições futuras, exigindo contínuos investimentos em infraestrutura e planejamento para otimizar a integração da energia limpa na matriz energética brasileira.





















