A gestão da energia elétrica surge como um fator estratégico, permitindo ao agronegócio brasileiro reduzir despesas, obter maior segurança no planejamento e alinhar-se às crescentes demandas de sustentabilidade do mercado.
Energia Elétrica: De Despesa a Fator Estratégico no Campo
Em um cenário de custos cada vez mais pressionados no campo, a energia elétrica deixou de ser apenas uma despesa operacional e passou a ocupar papel estratégico no agronegócio brasileiro. Sistemas de irrigação, armazenagem, refrigeração, beneficiamento e agroindústrias consomem volumes crescentes de eletricidade, tornando a conta de luz um dos fatores que mais impactam a margem do produtor rural.
Os números confirmam a importância do tema. Dados da Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (ABRACEEL) mostram que o mercado livre de energia já responde por cerca de 40% de toda a eletricidade consumida no Brasil, com mais de 60 mil unidades consumidoras migradas para esse ambiente de contratação, um crescimento de mais de 58% em relação ao ano anterior.
Esse ambiente de contratação permite que consumidores negociem diretamente preços, prazos e origens da energia, criando oportunidades de economia e maior previsibilidade de custos. No mercado regulado, a conta de luz é influenciada por tarifas fixas e variações sazonais; no mercado livre, o produtor pode mitigar esses efeitos por meio de contratos adequados ao seu perfil de consumo.
“Hoje, a energia deve ser encarada como um insumo agrícola, assim como fertilizantes ou defensivos. Quem não olha para esse custo de forma estratégica corre o risco de perder competitividade”, afirma Gustavo Sozzi, CEO da Lux Energia, empresa especializada em soluções completas de comercialização, geração e gestão de energia renovável.
Para ele, a compreensão e o uso inteligente desse recurso pode transformar o planejamento financeiro do produtor.
Acesso ao Mercado Livre e Previsibilidade de Custos
Segundo Sozzi, muitos produtores rurais ainda permanecem no mercado regulado por desconhecimento ou receio de mudança, mesmo quando já teriam perfil para migrar.
“Existe um mito de que o mercado livre é exclusivo para grandes indústrias, mas isso já não é mais verdade. Produtores rurais e agroindústrias de médio porte já conseguem acessar esse ambiente e obter economias relevantes”, explica.
Além da redução de custos, a previsibilidade na conta de energia é um dos maiores benefícios apontados pelos especialistas. Contratos de longo prazo permitem ao produtor planejar melhor suas safras, investimentos e expansões, algo crucial em um setor tão dependente de fatores climáticos e de mercado.
“Em um setor tão dependente de fatores climáticos e de mercado, eliminar surpresas na conta de luz faz toda a diferença no fluxo de caixa”, destaca Sozzi.
Outro fator que vem ganhando força é a sustentabilidade. Com as metas ambientais cada vez mais presentes nas cadeias produtivas e nos mercados de exportação, a possibilidade de contratar energia de fontes renováveis como solar e eólica agrega valor às propriedades rurais. Relatórios setoriais indicam que os consumidores no mercado livre tem conseguido economias que podem ultrapassar 35% no valor da energia elétrica, dependendo da negociação.
Sustentabilidade Como Vantagem Competitiva
“Muitos compradores e tradings já exigem comprovação de práticas sustentáveis. A energia limpa deixou de ser apenas uma bandeira ambiental e passou a ser uma exigência comercial”, ressalta Sozzi.
Para ele, a combinação entre economia e sustentabilidade cria uma vantagem competitiva clara para o produtor.
“Quando o agricultor consegue reduzir custos, garantir previsibilidade e ainda agregar valor ambiental à sua produção, ele se posiciona melhor diante do mercado e protege sua rentabilidade no longo prazo”, afirma.
A Necessidade de Planejamento Energético
Com margens cada vez mais apertadas e um ambiente de negócios mais exigente, a energia elétrica desponta como um dos principais pontos de atenção na gestão rural.
“O produtor que se antecipa, busca informação e planeja seu consumo energético sai na frente. Energia barata e limpa não é mais tendência, é necessidade”, conclui Gustavo Sozzi.























