A Comgás dá um passo decisivo na transição energética ao receber autorização para ofertar biometano a consumidores do mercado cativo em São Paulo, impulsionando a descarbonização industrial.
A Comgás acaba de receber o sinal verde da Arsesp para comercializar biometano diretamente aos seus clientes do segmento regulado. A iniciativa, denominada Mercado Cativo Verde, marca uma mudança importante na forma como o gás renovável chega ao consumidor final, permitindo que empresas priorizem fontes limpas sem a necessidade de migrar para o mercado livre.
Nesta etapa inicial, a operação contará com um volume de 2,6 mil m³ por dia. No entanto, a concessionária planeja escalar esse suprimento conforme a demanda e a disponibilidade de oferta avancem, mirando um potencial de até 50 mil m³ diários. O modelo busca atender setores estratégicos, como o industrial, refrigeração, cogeração e mobilidade sustentável.
Transparência e Rastreabilidade no Fornecimento
Como o biometano e o gás natural compartilham a mesma infraestrutura de dutos, a estratégia da Comgás baseia-se na certificação de atributos ambientais. Para garantir que não haja contagem dupla e assegurar a procedência do insumo, a empresa implementou um rigoroso sistema de controle interno aliado a auditorias externas independentes.
A análise de especialistas do setor energético destaca:
A implementação de protocolos de auditoria robustos é o pilar que sustenta a confiança do mercado na transição para fontes renováveis, garantindo que o benefício ambiental chegue de forma legítima aos usuários.
Dinâmica de Preços e Contexto de Mercado
A política de preços adotada para o novo serviço seguirá o padrão já praticado no gás natural convencional. Vale ressaltar que a distribuidora não lucra com a comercialização da molécula em si, portanto, os custos operacionais do biometano serão repassados aos clientes sem margens de lucro adicionais, mantendo o compromisso com a transparência tarifária.
Este movimento ganha força em um momento de aquecimento para o setor. Recentemente, a Naturgy também lançou uma chamada pública para adquirir biometano no estado de São Paulo.
Tais ações são voluntárias e ocorrem paralelamente à implementação da lei do Combustível do Futuro (lei nº 14.993/2024), que delega a responsabilidade pela descarbonização aos produtores e importadores, garantindo que o gás natural que circula na rede já possua padrões de sustentabilidade exigidos.
Com essas movimentações, São Paulo consolida sua posição na vanguarda da economia circular. O fortalecimento dessa cadeia produtiva tende a atrair novos investidores e acelerar a meta de descarbonização de frotas e plantas industriais, posicionando o biogás como uma solução real e escalável para os desafios climáticos dos próximos anos.














