O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu o aval para duas grandes operações no setor elétrico brasileiro, totalizando R$ 4,7 bilhões em investimentos e reestruturação de ativos.
O mercado de transmissão de energia no Brasil ganha novos contornos com a chancela do Cade para a venda de participações estratégicas envolvendo dois gigantes do setor: Neoenergia e Energisa. As autorizações, publicadas no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (12), marcam um movimento de reciclagem de capital que promete movimentar bilhões e reconfigurar o portfólio das empresas envolvidas. Agora, o fechamento final das negociações depende exclusivamente do crivo da Aneel.
Parceria fortalecida na Neoenergia
No caso da Neoenergia, a aprovação se refere ao repasse de 49% de sete ativos de transmissão para o fundo Unique Power FIP, gerido pelo fundo soberano de Singapura, o GIC. Com um aporte avaliado em R$ 2,4 bilhões, a transação consolida a terceira fase de uma parceria iniciada em 2023.
A estrutura da operação garante à Neoenergia o controle majoritário da joint venture, detendo 51% das ações. O portfólio resultante da parceria passará a somar 16 ativos de transmissão, estendendo-se por mais de 6,7 mil quilômetros de linhas. Para a elétrica, o movimento segue a estratégia de “rotação de ativos”, focada em extrair valor de projetos já maduros e com fluxo de caixa previsível.
Expansão e sinergia na Taesa
Simultaneamente, o Cade validou a aquisição de cinco concessões da Energisa pela Taesa, em um negócio estimado em R$ 2,3 bilhões. A aquisição reforça a posição da transmissora no mercado, incorporando 1,3 mil quilômetros de linhas e 12 subestações ao seu patrimônio operacional.
“A alocação de capital em ativos de transmissão de alta qualidade, com vencimento de longo prazo e sinergias operacionais, é o pilar da nossa estratégia de crescimento sustentável e disciplina financeira”, destacou Mauricio Dall’Agnese, diretor de Negócios e Inovação da Taesa.
Os novos ativos estão espalhados por regiões-chave, como Tocantins, Pará, Goiás e Bahia. A proximidade geográfica com os ativos atuais da Taesa deve gerar eficiências operacionais significativas, com a empresa projetando retornos financeiros expressivos. Para a Energisa, a venda faz parte de uma jornada de desalavancagem financeira, utilizando a reciclagem de ativos para fortalecer seu balanço e impulsionar novos investimentos.























