O Brasil projeta uma queda expressiva nos custos da energia solar com baterias até 2035, posicionando o país como um dos mercados mais competitivos globalmente para o armazenamento.
O setor de energia limpa no Brasil atravessa um momento decisivo. Projeções recentes da consultoria McKinsey & Company revelam que o custo nivelado da energia firme, conhecido pela sigla Firm LCOE, de sistemas solares integrados a baterias (BESS) deve despencar para US$ 39/MWh até 2035. Atualmente, esse indicador situa-se na casa dos US$ 65/MWh.
A estimativa, apresentada durante evento da Cela e da IFC, braço do Banco Mundial, coloca o Brasil em uma posição privilegiada. Em termos de competitividade, o país ficaria atrás apenas da China (US$ 33/MWh), superando o potencial de mercado dos Estados Unidos, onde o custo projetado gira em torno de US$ 59/MWh.
A força da irradiação e a viabilidade econômica
O otimismo em relação ao mercado nacional não se baseia apenas na abundância solar, mas na eficiência da combinação entre o recurso natural e a tecnologia de armazenamento. A redução do chamado “prêmio de firmeza” — o custo para garantir que a energia solar seja entregue de forma previsível e estável — é o motor dessa transformação.
Mikael Djanian, sócio da McKinsey & Company, afirmou:
Comparando com outros países, o Brasil só perde para a China, em termos de firm LCOE. Não estamos falando aqui de tarifas e outros encargos, estamos falando de custo puro de energia, o Brasil é um dos mais competitivos do mundo.
O papel do retrofit e a economia do consumidor
O Brasil possui uma base instalada impressionante de geração distribuída (GD), que deve encerrar o ano com cerca de 52 GW de potência. Esse ecossistema oferece uma oportunidade ímpar para o retrofit, ou seja, a instalação de baterias em projetos que já estão em operação.
O alto custo das tarifas elétricas no Brasil — que figuram entre as mais caras do mundo — torna o armazenamento um investimento estratégico. Com a adoção do BESS, consumidores residenciais e industriais podem otimizar o autoconsumo e reduzir gastos, utilizando a bateria como ferramenta de arbitragem e backup.
Resiliência, mercado livre e o futuro da rede
A instabilidade da rede elétrica nacional, evidenciada pelo elevado índice de interrupções (DEC), surge como um gatilho para a adoção de baterias no curto prazo. Para muitos consumidores, a busca por independência e segurança energética justifica o investimento inicial, transformando o armazenamento em uma solução de resiliência.
Com a expansão do mercado livre de energia prevista para 2027, o cenário deve se tornar ainda mais dinâmico. A integração de baterias permitirá a criação de VPPs (Usinas Virtuais de Energia) e o uso eficiente de excedentes renováveis. Dessa forma, as baterias deixam de ser apenas um reserva de emergência para se tornarem ativos inteligentes que respondem em tempo real aos sinais do sistema elétrico nacional.
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