Brasil precisa acelerar industrialização nacional para reduzir dependência na cadeia de veículos elétricos

Brasil precisa acelerar industrialização nacional para reduzir dependência na cadeia de veículos elétricos
Brasil precisa acelerar industrialização nacional para reduzir dependência na cadeia de veículos elétricos - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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O crescimento acelerado dos veículos elétricos no mercado brasileiro expõe uma lacuna industrial crítica: a alta dependência de componentes importados, como baterias e motores de alta tecnologia.

A transição energética na mobilidade brasileira vive um momento de contraste. Enquanto a adesão aos modelos eletrificados cresce de forma expressiva — saltando de uma fatia de mercado de apenas 0,4% em 2022 para 6,8% em 2025 —, a estrutura produtiva nacional ainda patina para acompanhar essa nova demanda. Esse é o diagnóstico central de um estudo recente realizado pelo projeto DIP-BR, que alerta para o risco de o Brasil se tornar apenas um consumidor de tecnologia estrangeira em vez de um polo industrial de relevância global.

O levantamento, assinado por especialistas do Instituto de Economia da UFRJ, aponta que o sucesso recente, impulsionado pela chegada de montadoras chinesas como a BYD e a GWM, expõe a fragilidade da nossa cadeia de suprimentos. Embora esses fabricantes já operem linhas de montagem no território nacional, componentes estratégicos como células de bateria, inversores e sistemas de potência de última geração continuam sendo trazidos de fora.

O desafio da soberania tecnológica

A fragilidade atual é reflexo de um longo período de desindustrialização que assolou o setor automotivo brasileiro a partir de 2013. Para os pesquisadores, a simples montagem de veículos não basta. O Brasil precisa retomar o domínio de tecnologias críticas se quiser garantir competitividade a longo prazo na era da descarbonização.

“Para superar esse atraso, o Brasil precisa investir ativamente no desenvolvimento de competências tecnológicas nacionais em baterias e componentes críticos, mobilizando instituições científicas e tecnológicas (ICTs) e aproveitando as reservas minerais estratégicas do país como ativos para reduzir a dependência externa”, destacam os autores do estudo.

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Entre o etanol e a eletricidade

O cenário brasileiro é singular devido à força consolidada dos biocombustíveis. O governo federal tem sinalizado que a estratégia de descarbonização passará, necessariamente, pelo uso intensivo de etanol e biometano, equilibrando a matriz energética com a eletrificação. Esse movimento tem forçado montadoras tradicionais — como Volkswagen, GM, Stellantis e Toyota — a apostarem nos híbridos flex.

A resposta da indústria à concorrência chinesa tem sido a busca por parcerias estratégicas. No setor de veículos pesados, empresas como a Eletra e a WEG já provam que é possível desenvolver soluções locais de tração elétrica. Paralelamente, o programa Mover, do governo federal, tenta incentivar a inovação através de critérios de análise de ciclo de vida, oferecendo créditos fiscais para quem investir em tecnologias como armazenamento de energia e combustíveis sintéticos.

O desafio agora é escalar essas iniciativas. Com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projetando uma redução significativa na intensidade de carbono dos transportes até 2034, o país possui uma janela de oportunidade. No entanto, o sucesso dessa transformação dependerá de quanto o Brasil conseguirá converter seu enorme potencial mineral — em lítio, níquel e grafite — em uma base industrial que vá muito além da exportação de matéria-prima.

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