A concessionária Norte Energia reportou prejuízo no terceiro trimestre, impactada pela queda na geração de Belo Monte em meio a um cenário hidrológico adverso e efeitos climáticos intensos no Xingu.
A Norte Energia, responsável pela operação da UHE Belo Monte, no Pará, enfrentou desafios operacionais significativos no terceiro trimestre de 2026. A companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 293,8 milhões no período, o que representa uma atenuação de 18% frente aos números negativos observados no mesmo intervalo de 2025. O desempenho foi diretamente influenciado por uma retração de 7% na produção de energia da usina.
O volume reduzido de água no rio Xingu, aliado aos efeitos intensificados do fenômeno climático El Niño, limitou a capacidade de geração do complexo. Durante os meses de julho a setembro, a média de geração bruta foi de 532 MW médios, abaixo dos 572 MW médios registrados no ano anterior, com as afluências chegando a apenas 75% da Média de Longo Termo (MLT).
Adaptação operacional e gestão de recursos
Para lidar com a escassez hídrica e atender às diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), a empresa implementou medidas de contingência. Em agosto, foi iniciada uma redução gradual da vazão enviada ao reservatório intermediário, mantendo o fluxo destinado à Volta Grande do Xingu.
A operadora ressalta que essa manobra excepcional faz parte da Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, desenhada para otimizar os recursos hídricos disponíveis diante das severas condições climáticas enfrentadas na região Norte do país.
Receita e resiliência financeira
Apesar dos obstáculos na geração, a Norte Energia conseguiu elevar sua receita operacional líquida em 10%, atingindo R$ 1,6 bilhão. Esse resultado foi alavancado por uma alta expressiva de 57% na receita proveniente do Ambiente de Contratação Livre (ACL), impulsionada por preços de venda mais vantajosos, além de reajustes contratuais no Ambiente de Contratação Regulada (ACR).
O Ebitda da companhia também apresentou desempenho positivo, crescendo 11% e alcançando R$ 839,1 milhões. Paralelamente, houve um esforço de disciplina financeira, resultando em uma redução de 1,56% na dívida líquida, que somou R$ 26,02 bilhões. Esse movimento de descompressão do endividamento é atribuído à amortização contínua de compromissos contratuais e à ausência de novas captações de crédito no mercado.
O cenário futuro permanece condicionado ao comportamento das chuvas e à estabilização do regime hidrológico na bacia do Xingu. Enquanto navega pelos desafios climáticos, a concessionária mantém o foco em investimentos socioambientais, que consumiram a maior parte dos R$ 69,6 milhões investidos no trimestre, totalizando um avanço de 36% nos aportes realizados nos primeiros nove meses de 2026. A estratégia agora se volta para equilibrar a eficiência operacional com a gestão rigorosa de custos e encargos de transmissão.















