Com recorde de projetos, Alupar pondera entrada em leilão de baterias.
A empresa de infraestrutura energética Alupar demonstra interesse em participar do vindouro leilão de reserva de capacidade para sistemas de armazenamento de energia em baterias, agendado para dezembro. Contudo, a companhia adota uma postura de cautela diante do volume expressivo de projetos que foram habilitados para o certame.
Durante a divulgação de seus resultados financeiros referentes ao segundo trimestre de 2026, a Alupar comunicou a percepção de uma oferta excedente, descrevendo os valores apresentados pelos projetos concorrentes como “astronômicos”. Essa constatação levanta um sinal de alerta quanto à intensidade da competição esperada.
Luiz Coimbra, Diretor de Relações com Investidores da Alupar, explicou o posicionamento da empresa: “Temos alguns projetos em nosso portfólio e estamos analisando atentamente. Nosso objetivo é participar, mas sempre mantendo disciplina financeira. A quantidade de oferta e os valores habilitados são impressionantes, e ainda é cedo para definirmos nossa estratégia final”.
O cenário é de um mercado aquecido, com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) registrando a inscrição de 6.091 projetos para os leilões de baterias, totalizando uma capacidade impressionante de 296,8 GW. Este número sem precedentes sinaliza uma disputa acirrada no primeiro leilão dedicado especificamente à contratação de armazenamento de energia no Brasil.
A cautela da Alupar reflete sua abordagem estratégica de buscar oportunidades de crescimento com solidez financeira, evitando riscos desnecessários. Paralelamente, a empresa continua a explorar outras avenidas de expansão, incluindo leilões de energia em países da América Latina. No entanto, a Alupar pondera que os projetos para o leilão de outubro, por exemplo, demandam maior escala para justificar sua participação.
No segmento de transmissão, a Alupar mantém seu ritmo de investimentos. Recentemente, a companhia arrematou o lote 7 do leilão de transmissão de 2026, com uma Receita Anual Permitida (RAP) projetada em R$ 96,7 milhões e um investimento regulatório estimado em R$ 1,089 bilhão. A empresa busca otimizar esse investimento, com a expectativa de reduzir o custo de capital (capex) em cerca de 30% em relação ao estipulado pela Aneel. Este projeto, que inclui novas subestações e linhas de transmissão, tem previsão de início de operação em 2031 e concessão de 30 anos.
O desempenho financeiro da Alupar no segundo trimestre de 2026 apresentou um lucro líquido regulatório de R$ 159 milhões, uma retração de 14,6% em relação ao ano anterior. A receita líquida regulatória, por outro lado, registrou um crescimento de 10,3%, alcançando R$ 946,1 milhões. A pressão sobre os resultados financeiros foi atribuída, em grande parte, ao aumento da inflação, impactando 65% da dívida da companhia indexada ao IPCA.




















