A indústria brasileira aposta no leilão do gás da União, operado pela PPSA, para romper 14 anos de estagnação e elevar a competitividade do setor produtivo nacional.
O cenário industrial brasileiro, que enfrenta mais de uma década sem crescimento no consumo de gás natural, enxerga nos novos leilões da União uma oportunidade estratégica de virada. A avaliação foi reforçada por Paulo Pedrosa, presidente da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia), durante o evento Sergipe Oil & Gas (SOG) 2026.
Para o setor, o desafio é urgente. Com o segmento químico operando com 37% de sua capacidade ociosa, a injeção de volumes provenientes do excedente da União surge como o combustível necessário para destravar investimentos e otimizar os custos de produção em pilares fundamentais como a siderurgia e o setor de fertilizantes.
O papel da PPSA e a nova dinâmica de mercado
A estratégia defendida pela Abrace coloca a PPSA (Pré-Sal Petróleo) como protagonista, atuando como uma espécie de *market maker*. A proposta é que, através de leilões diários e transparentes, o gás chegue diretamente aos consumidores finais, afastando a dependência histórica de um único comprador, a Petrobras.
O que estamos buscando é um ambiente onde a formação de preços seja orgânica, baseada no equilíbrio de mercado, e que garanta a segurança necessária para que a indústria retome seu ritmo de expansão com previsibilidade e custos competitivos.
Essa visão ganhou força com a recente decisão do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), que chancelou a realização da primeira disputa para novembro. O modelo aprovado descentraliza a oferta, criando um precedente para que o insumo circule de forma mais eficiente pela economia real.
Transparência contra os jabutis zumbis
Além da questão dos leilões, Paulo Pedrosa posicionou a Abrace sobre o debate em torno do *gas release*. O executivo classificou a medida como uma evolução natural e necessária, desde que não ocorra por imposição, mas sim por meio de mecanismos transparentes de venda.
Em contrapartida, o presidente da associação foi enfático ao criticar intervenções artificiais no setor elétrico, apelidando medidas ineficientes de jabutis zumbis. Para ele, o desenvolvimento sustentável da indústria depende exclusivamente de preços justos e da eliminação de artifícios que distorcem a realidade energética do país.
A expectativa agora se volta para o leilão de novembro. Se bem-sucedido, o projeto pode ser o gatilho para uma nova fase da política energética nacional, onde a abundância do pré-sal deixa de ser apenas uma promessa e passa a irrigar, de fato, a competitividade das fábricas brasileiras.























