A gigante siderúrgica CSN oficializa a venda da CSN Cimentos para a chinesa Huaxin Building Materials Group em um negócio avaliado em R$ 12,7 bilhões, buscando desalavancagem financeira.
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) deu um passo decisivo em sua estratégia de reestruturação de capital.
Em fato relevante divulgado neste domingo (08), a empresa confirmou a assinatura de um contrato para a alienação de sua subsidiária, a CSN Cimentos, para a multinacional chinesa Huaxin Building Materials Group.
A transação, que vinha sendo desenhada desde o início de 2026 através de um rigoroso processo competitivo, consolida-se como um dos movimentos mais significativos do setor industrial brasileiro no ano.
O valor estipulado para a operação, o chamado enterprise value, é de R$ 12,74 bilhões, montante que ainda passará por ajustes de praxe, como a contabilização da dívida líquida e variações de capital de giro até a data final do fechamento do negócio.
Um movimento estratégico pela saúde financeira
Para a CSN, o desinvestimento não é apenas uma operação de venda, mas uma peça central em seu plano de desalavancagem.
Ao se desfazer de um ativo robusto como a CSN Cimentos, a holding busca reduzir seu endividamento financeiro e reequilibrar sua estrutura de capital, ganhando fôlego para novos ciclos de investimento em suas operações principais de siderurgia e mineração.
A escolha pela Huaxin Building Materials Group ocorreu após meses de avaliação de mercado.
A empresa chinesa apresentou a proposta considerada mais atrativa e alinhada com os objetivos da companhia brasileira, encerrando um período de prospecção que envolveu diversos interessados globais.
A CSN declarou:
“A transação representa um marco fundamental para o fortalecimento do balanço da CSN, permitindo que a companhia concentre seus recursos em ativos estratégicos enquanto viabiliza o crescimento da divisão de cimentos sob a égide de um player global consolidado.”
Caminho até a conclusão
Embora o acordo de compra e venda (o Share Purchase Agreement) já tenha sido assinado, a transferência definitiva dos ativos ainda depende do cumprimento de diversas condições precedentes.
O cronograma, que se arrasta desde as primeiras sinalizações de mercado em janeiro de 2026, agora aguarda o aval de órgãos reguladores e autoridades de concorrência.
No Brasil, o processo será submetido ao crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que avaliará possíveis impactos de concentração de mercado.
Além disso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também precisa conceder anuência prévia, dado que a operação envolve ativos com interface no setor elétrico.
Por fim, o negócio ainda está sujeito às aprovações regulatórias exigidas pelas autoridades chinesas.
A expectativa da diretoria da CSN é concluir a operação assim que todos os trâmites burocráticos forem superados.
O mercado financeiro segue atento aos desdobramentos, visto que a venda é vista como um sinal positivo para a redução da dívida líquida do grupo, fator que deve impactar a percepção de risco e o desempenho das ações da empresa nos próximos pregões na B3.









