O México deu um passo histórico ao lançar uma licitação inédita para uma usina que une energia solar, baterias e hidrogênio verde em uma região isolada.
O setor energético latino-americano registra um avanço tecnológico importante com a iniciativa liderada pela CFE (Comissão Federal de Eletricidade). A estatal mexicana iniciou o processo de concorrência pública para erguer um complexo inovador em Mulegé, no estado de Baja California Sur.
Batizado de Oasis, o empreendimento pioneiro foi desenhado para suprir gargalos de abastecimento em uma localidade desprovida de conexão com o sistema elétrico nacional. A estratégia busca eliminar a dependência histórica de combustíveis fósseis na área.
Cronograma e etapas da licitação
As companhias do setor interessadas na disputa já possuem datas definidas para movimentar o mercado. O período para submissão das propostas comerciais e técnicas foi estabelecido entre os dias 18 e 30 de novembro.
A fase seguinte ocorrerá em 1º de dezembro, quando os técnicos avaliarão a capacidade dos concorrentes e abrirão os envelopes com os valores. A definição da empresa vencedora e a respectiva adjudicação do contrato estão agendadas para o dia 18 de dezembro.
Estrutura técnica do complexo Oasis
O projeto dimensiona uma capacidade fotovoltaica de 72 MW em corrente contínua, o que resulta em 60 MW em corrente alternada. Para garantir a estabilidade do suprimento, o complexo contará com um parque de baterias capaz de reter 80 MWh, assegurando autonomia por até quatro horas.
A arquitetura do sistema prevê ainda o uso da eletricidade excedente dos painéis solares para acionar eletrolisadores de 20 MW. Esse equipamento será responsável por extrair hidrogênio da água, combustível que posteriormente alimentará células geradoras nos momentos de pico ou durante a noite.
O empreendimento representa um marco na transição energética da região, combinando múltiplas fontes renováveis para garantir autonomia e sustentabilidade a longo prazo.
Parceria estratégica e planos futuros
A execução conta com a colaboração da companhia francesa HDF Energy, que atua junto à estatal mexicana no desenvolvimento da iniciativa. O modelo adotado baseia-se em investimentos mistos, permitindo a cooperação entre o setor público e a iniciativa privada.
A relevância da usina é atestada pela inclusão no planejamento estratégico da CFE para o quadriênio entre 2026 e 2030. Tratando-se da única iniciativa com hidrogênio verde contemplada no plano oficial, o projeto servirá de vitrine para futuras expansões de infraestrutura limpa no país.









