A Usina Hidrelétrica de Foz do Areia, no Paraná, iniciou uma fase decisiva de ampliação. Novos componentes gigantescos chegaram ao local para elevar a capacidade da planta em 860 MW.
A Usina Governador Bento Munhoz da Rocha Netto, popularmente conhecida como Foz do Areia, deu um passo fundamental em seu projeto de expansão de R$ 1,3 bilhão. Localizada no município de Pinhão, a hidrelétrica recebeu os primeiros componentes metálicos de grande porte — estruturas de 55 toneladas cada — que serão essenciais para a instalação de duas novas unidades geradoras de energia.
O transporte dessas peças, fabricadas em Assaí, no norte paranaense, exigiu uma operação logística complexa de dois dias devido às dimensões dos equipamentos. A iniciativa da Copel reforça a estratégia da companhia em potencializar ativos já consolidados no Rio Iguaçu, garantindo um incremento expressivo na matriz energética sem a necessidade de novos alagamentos ou desapropriações.
Logística e engenharia de precisão
As peças que chegaram à usina não são as turbinas em si, mas sim os revestimentos metálicos dos tubos de sucção. Esses dutos são vitais para o processo de retorno da água ao leito do rio após o giro das turbinas. O cronograma prevê que a soldagem e o posicionamento final desses componentes ocorram em dezembro de 2026, consolidando a infraestrutura básica necessária para as futuras máquinas.
O projeto de engenharia é um verdadeiro tributo à visão dos projetistas da década de 1970. Ao construírem a usina original, eles reservaram seis poços para futuras unidades, embora apenas quatro tenham sido equipados inicialmente. Agora, mais de quatro décadas depois, a Copel aproveita esse espaço arquitetônico para expandir a capacidade sem a necessidade de construir uma nova casa de força.
Lorival Antunes da Silva Junior, gerente do projeto na Copel, afirmou:
Aproveitar os poços existentes reduz a necessidade de obras de concreto, além de diminuir custos e tempo de execução.
Impacto no sistema elétrico nacional
Com a conclusão prevista para 1º de agosto de 2030, a UHE Foz do Areia passará de 1.676 MW para 2.536 MW de potência instalada. O acréscimo de 860 MW, advindo de duas novas máquinas de 430 MW cada, representa um salto de 51% na capacidade total da unidade. Essa expansão foi viabilizada pelo Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência, realizado pela ANEEL em 2026.
O impacto deste investimento vai além do Paraná. Como parte de um plano maior que inclui também a usina de Segredo, a Copel projeta injetar cerca de 2,1 GW adicionais no Sistema Interligado Nacional (SIN). A modernização da subestação interna da usina será o próximo passo necessário para assegurar que toda a energia extra gerada seja transmitida com eficiência para o país, garantindo maior estabilidade e segurança energética para o futuro.









