Uma gigante usina solar na Turquia, cobrindo área equivalente a 2.600 campos de futebol, gera energia limpa para 2 milhões de pessoas enquanto o país se prepara para a COP31.
Um vasto terreno transformado no coração da Turquia abriga um dos maiores empreendimentos de transição energética do planeta. O complexo solar Kalyon Karapınar YEKA-1 reformulou a paisagem árida da província de Konya.
Estendendo-se por 20 quilômetros quadrados, a infraestrutura reúne cerca de 3,5 milhões de painéis fotovoltaicos. A capacidade do complexo garante o suprimento elétrico equivalente ao consumo diário de 2 milhões de habitantes.
O projeto voltou aos holofotes globais impulsionado pelos preparativos para a COP31, a conferência climática das Nações Unidas agendada para ocorrer em novembro de 2026 na cidade de Antália.
Engenharia de alta escala e tecnologia nacional
A instalação conta com 1.350 megawatts-pico de potência instalada e produz anualmente cerca de 3 bilhões de quilowatts-hora. Essa escala permite suprir uma parcela significativa do consumo energético do país.
A montagem priorizou a indústria local, utilizando componentes produzidos em Ancara na fábrica da Kalyon PV, com taxa de nacionalização de 80%. O terreno escolhido sofria anteriormente com intensa degradação e desertificação.
O sistema adota rastreadores solares de eixo único, ajustando a posição dos módulos conforme o movimento solar. Essa tecnologia proporciona um ganho de eficiência estimado em 15% comparado a estruturas fixas.
“O empreendimento responde por aproximadamente 0,7% da demanda nacional de eletricidade, demonstrando o impacto direto de grandes infraestruturas no abastecimento do país.”
Desafios na transição energética turca
Embora a usina evite a emissão estimada de 1,7 milhão de toneladas de carbono a cada ano, a matriz energética nacional ainda enfrenta contradições operacionais relevantes.
Dados governamentais apontam que as fontes eólica e solar representaram quase 23% da matriz em 2025. Contudo, o carvão mineral manteve a maior participação na geração, alcançando 33% da eletricidade turca.
Organizações ambientais cobram metas mais transparentes para o fim progressivo dos combustíveis fósseis. Em resposta, o governo defende a expansão em Karapınar como pilar central para sua segurança energética.
Projeções e o futuro da matriz limpa
A consolidação do complexo de Karapınar posiciona a Turquia como um ator de destaque na infraestrutura renovável internacional. O projeto demonstra a viabilidade de recuperar áreas degradadas para a produção verde.
Durante as negociações da COP31, a instalação servirá como vitrine tecnológica do país. O principal desafio futuro residirá em replicar esse modelo para reduzir efetivamente a dependência dos fósseis na rede elétrica.









