O Rio Grande do Norte avança na transição energética com a aprovação de uma planta industrial em São Gonçalo do Amarante, projetada para produzir amônia verde com energia 100% renovável.
O setor de energias limpas no Rio Grande do Norte deu um passo decisivo em direção à industrialização sustentável.
O Idema (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente) concedeu a Licença de Instalação para um ambicioso projeto da Atlântico Empreendimentos Imobiliários, localizado em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Natal.
A unidade está desenhada para produzir 35,2 mil toneladas de hidrogênio verde e 200 mil toneladas de amônia verde anualmente.
Este licenciamento, formalizado no início de setembro de 2026, autoriza o início da fase de construção e montagem da infraestrutura física.
Embora represente um marco significativo para a viabilidade do negócio, a autorização não libera a operação comercial, que dependerá de futuras licenças ambientais específicas para a ativação industrial.
Compromisso com a Sustentabilidade e Produção
Um dos diferenciais técnicos deste projeto é a exigência de matriz energética integralmente limpa.
A planta deve operar utilizando exclusivamente eletricidade de fontes renováveis para realizar a eletrólise, processo que separa o hidrogênio da água.
Além disso, a empresa adotou o compromisso de utilizar água de reúso em suas linhas de montagem, minimizando o impacto hídrico nas reservas locais e adequando-se a padrões globais de ESG.
O investimento inicial, estimado em R$ 700 milhões, reflete apenas o primeiro ciclo de um plano de expansão de longo prazo.
A Atlântico projeta um horizonte de uma década para atingir o ápice de sua capacidade produtiva, podendo incluir a fabricação de ureia verde.
A infraestrutura, que abrange cerca de 2 mil metros quadrados nesta etapa, tem como objetivo estratégico integrar a logística portuária do estado, com planos de escoamento pelo Porto-Ilha de Areia Branca e potenciais futuras estruturas em Galinhos.
Estratégia Estadual de Transição
O estado potiguar tem se consolidado como um hub estratégico para a economia do hidrogênio.
Com a publicação do Atlas de Hidrogênio Verde pelo governo estadual em parceria com o SENAI-RN e a FIERN, o Rio Grande do Norte mapeia áreas com maior potencial competitivo.
O objetivo é converter o excedente de energia solar e eólica em produtos químicos de alto valor agregado, que possuem maior facilidade de transporte e armazenamento do que a própria eletricidade.
Este movimento ganha corpo com projetos como o Morro Pintado, em Areia Branca, liderado pela Brazil Green Energy.
Enquanto o projeto em São Gonçalo do Amarante avança na fase de licenciamento de instalação, o mercado observa atentamente como o estado transformará sua abundância de recursos naturais em um complexo polo industrial de baixa emissão de carbono.
O futuro desta operação permanece condicionado à viabilidade econômica global, à regulamentação do setor e ao cumprimento rigoroso das metas de eletrificação renovável.
Com validade da licença até 2030, a empresa agora se prepara para consolidar a infraestrutura necessária, marcando um novo capítulo na trajetória energética do Brasil.














