A Raízen propôs um aumento de capital privado de no mínimo R$ 3,5 bilhões para estruturar seu plano de recuperação extrajudicial e readequar a estrutura acionária do grupo.
A gigante do setor de energia renovável Raízen anunciou ao mercado uma etapa crucial para a sua reestruturação financeira. A companhia projeta injetar pelo menos R$ 3,5 bilhões em seu caixa por meio de uma oferta privada de ações.
A medida visa cumprir compromissos assumidos no plano de recuperação extrajudicial homologado judicialmente. A meta principal é fortalecer o balanço patrimonial e garantir estabilidade para as operações de biocombustíveis da empresa.
A transação prevê a emissão inicial de no mínimo 14 bilhões de novos papéis ao valor de R$ 0,25 cada. O teto da capitalização dependerá da adesão de credores, do direito de preferência e da participação da Aguassanta Participações.
Aprovações societárias e reformulação estatutária
Para avançar com a operação, a companhia convocou sua Assembleia Geral Extraordinária para o dia 30 de outubro. Os acionistas votarão alterações no estatuto, o programa de Units e a criação de novas classes de ações.
Se as propostas forem aceitas nas assembleias, o conselho de administração se reunirá em 5 de novembro para chancelar a oferta. O cronograma do plano estabelece prazo amplo para a conclusão de todas as condições da capitalização.
“A operação constitui uma das etapas centrais previstas no plano de recuperação extrajudicial para readequar a estrutura de capital e a sustentabilidade do negócio.”
Prazos e movimentações na B3
Os investidores posicionados em papéis da empresa ao fim do pregão de 5 de novembro na B3 terão garantido o direito de preferência. A partir do dia 6 de novembro, os ativos passam a ser negociados sem esse direito associado.
O período para exercer a subscrição durará 30 dias corridos, encerrando-se em 7 de dezembro. A estimativa da diretoria é homologar o aumento de capital na B3 em 16 de dezembro, creditando os papéis logo em seguida.
A reestruturação também altera os códigos de negociação na bolsa paulista. As atuais ações preferenciais RAIZ4 passarão a ser listadas como RAIZ5, enquanto as novas ações preferenciais classe B ficarão registradas apenas em livros societários.
A consolidação desta oferta é vista como um passo determinante para restabelecer a segurança financeira da produtora de etanol. O apoio dos atuais acionistas demonstrará o grau de confiança na retomada da empresa.
Os próximos meses serão decisivos para avaliar a adesão ao plano e o fluxo de caixa gerado pós-emissão. O mercado de energia limpa segue acompanhando desdobramentos sobre o cumprimento das metas operacionais da companhia.














