O estado de São Paulo acelera a transição energética com um aporte internacional de R$ 5 milhões destinado a impulsionar o mercado de biometano e consolidar novos polos no interior.
A infraestrutura para a produção e o consumo de biometano ganha tração no território paulista, impulsionada por investimentos estratégicos e novos modelos de integração logística. Durante o workshop Conecta Biometano SP, promovido pela Semil em Ribeirão Preto, autoridades e especialistas detalharam o avanço de iniciativas voltadas à substituição de combustíveis fósseis e à valorização de resíduos orgânicos, reforçando o papel do estado como líder nacional no setor de energia limpa.
O destaque da programação foi o anúncio de uma cooperação técnica com a instituição sueca Swedfund, que vai custear integralmente R$ 5 milhões em pesquisas para desenhar hubs regionais de biocombustíveis e analisar o aproveitamento do digestato como adubo orgânico. As cidades de Ribeirão Preto e Araçatuba foram designadas como referências centrais dessa estratégia, visto que a região ribeirãopretana concentra quase um quarto do potencial produtivo estadual do recurso, unindo subprodutos da agroindústria sucroenergética e operações de aterros sanitários.
Expansão e Infraestrutura para o Gás Renovável
Atualmente, o território paulista abriga nove das 21 unidades produtoras de biometano em funcionamento no país, gerando um volume diário próximo a 700 mil metros cúbicos. Esse montante é equivalente à demanda residencial de gás natural da capital. O segmento sucroenergético responde por uma fatia expressiva dessa capacidade, consolidando o estado como o principal polo brasileiro na conversão de resíduos agrícolas em energéticos de baixa emissão de carbono.
Para escoar toda essa produção até os grandes centros consumidores, novos projetos de dutos e conexões entram em pauta. A agência reguladora estadual Arsesp apresentou a iniciativa Interliga SP, enquanto a TBG apostou no conceito de Hub de Biometano para integrar os produtores à malha nacional de transporte. Paralelamente, o programa Cidades Sustentáveis, capitaneado pela Necta em Presidente Prudente, planeja fazer da localidade a primeira do país a contar com uma rede urbana inteiramente abastecida pelo biocombustível, mirando mais de 5 mil clientes conectados.
Mobilidade Urbana e Logística Verde
O setor de transporte pesado também figura no centro das atenções governamentais e empresariais, atuando como um vetor fundamental para a descarbonização das rodovias brasileiras.
A substituição do diesel pelo biometano representa uma alavanca crucial para reduzirmos a dependência externa de combustíveis e impulsionarmos a mobilidade sustentável nas estradas.
Como incentivo à renovação de frotas, o governo estadual garantiu a isenção do IPVA para caminhões e ônibus movidos a gás até dezembro de 2029, medida que já demonstra reflexos práticos com a triplicação nas vendas de veículos pesados a GNV entre 2024 e 2025. No âmbito corporativo, o projeto Corredor Verde, fruto da união entre a TransJordano e a Ultragaz, planeja colocar em circulação uma frota de 100 caminhões movidos a biometano até o final de 2026, ligando o interior paulista ao Porto de Santos e evitando emissões expressivas de gases de efeito estufa.
O fortalecimento dessa cadeia produtiva conta ainda com suporte financeiro direcionado. Instituições como a Desenvolve SP disponibilizam linhas de crédito específicas, a exemplo da modalidade Economia Verde, oferecendo prazos estendidos de até 120 meses para auxiliar empresas na aquisição de maquinário, veículos utilitários e na implementação de infraestruturas voltadas à gestão ambiental e transição energética.













