Uma forte coalizão empresarial cobra do governo federal a regulamentação urgente do Redata, colocando o gás natural e as energias limpas no centro do debate sobre o futuro dos data centers no país.
A corrida global por infraestrutura digital e inteligência artificial colocou o Brasil diante de um desafio estratégico: abastecer gigantescos centros de processamento sem desestabilizar o sistema elétrico nacional. Uma poderosa coalizão formada por 32 entidades empresariais e nove frentes parlamentares enviou recentemente uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, exigindo a regulamentação imediata do Redata, o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter.
A legislação, sancionada em setembro de 2026 por meio da Lei nº 15.504, promete impulsionar o setor tecnológico nacional, mas continua travada na burocracia. O principal entrave está na definição de regras complementares capazes de destravar bilhões em investimentos estrangeiros e locais voltados para a computação em nuvem e armazenamento avançado de dados.
O impasse energético e o papel do gás natural
O funcionamento contínuo de servidores e sistemas de refrigeração exige um volume massivo de eletricidade, levantando discussões sobre a matriz de suprimento mais adequada. Enquanto o mercado internacional busca alternativas como a energia geotérmica utilizada pelo Google nos Estados Unidos, o empresariado brasileiro defende a chamada neutralidade tecnológica.
A proposta da coalizão inclui o uso de fontes renováveis como solar, eólica, hidrelétrica, biomassa e biogás, mas também abre espaço para o gás natural. Enquanto defensores do combustível fóssil argumentam que ele garante estabilidade à rede nos momentos de baixa geração eólica ou solar, ambientalistas e setores críticos apontam o conflito com as metas de descarbonização.
A indefinição regulamentar prejudica o planejamento financeiro e compromete a previsibilidade necessária para atrair novos aportes voltados à infraestrutura digital brasileira.
Tributação e desafios estruturais
Além do suprimento elétrico, a disputa envolve barreiras fiscais e restrições à importação de componentes tecnológicos avançados. As empresas alertam que listas excessivamente rígidas de equipamentos beneficiados podem travar a implantação dos projetos, prejudicando a competitividade do Brasil frente a outros mercados globais.
O grupo também pressiona o governo federal a negociar com os estados, por meio do Confaz, um alinhamento tributário relacionado ao ICMS. A preocupação central é evitar que os custos extras de expansão da rede elétrica e transmissão sejam repassados aos consumidores comuns, preservando a tarifa residencial e industrial.
O desfecho desse embate definirá a capacidade do Brasil de se consolidar como um polo regional de tecnologia e inteligência artificial. Conciliar o apetite voraz por eletricidade dos novos centros de dados com a segurança energética e a transição para fontes sustentáveis permanece como o principal teste para o futuro da energia limpa no país.















