Inovação brasileira apoiada pela Finep utiliza terras raras para aumentar em até 12% a eficiência de painéis de energia solar fotovoltaica sem a necessidade de substituição dos módulos.
O mercado de energia limpa e sustentável no Brasil acaba de ganhar um impulso tecnológico significativo.
Uma inovação nacional promete transformar o cenário da geração solar fotovoltaica ao otimizar o desempenho de painéis já instalados, reduzindo custos e acelerando a transição energética no país.
Desenvolvida pela Anexo Energia, em Goiás, a película fotoluminescente chamada QORA representa um avanço expressivo para o setor.
Com o suporte da Finep — Financiadora de Estudos e Projetos —, a solução utiliza compostos de terras raras para ampliar o aproveitamento da luz solar, elevando a eficiência energética dos equipamentos.
A ciência por trás da película fotoluminescente
O segredo da tecnologia está no uso de um composto de terras raras à base de európio.
Essa substância inovadora atua diretamente na conversão da radiação ultravioleta, que antes era pouco aproveitada e gerava apenas aquecimento na placa solar.
Com a aplicação da película, essa luz é transformada em uma faixa muito mais útil para a geração de energia, otimizando o processo fotovoltaico.
Em ambiente laboratorial, a tecnologia já demonstrou capacidade de elevar em 12% a produção de eletricidade dos equipamentos.
Além do ganho imediato na eficiência energética, a solução contribui diretamente para a economia circular, prolongando a vida útil dos painéis solares e retardando o descarte precoce das placas.
Investimento e parceria estratégica
O projeto de P&D foi viabilizado graças a um aporte de R$ 3,9 milhões concedido pela Finep por meio de recursos de subvenção econômica.
Somado à contrapartida da Anexo Energia, o investimento total na iniciativa alcançou a marca de R$ 4,4 milhões, demonstrando a força do fomento à inovação industrial no Brasil.
Wister Alves afirmou:
“A QORA é resultado de uma jornada em que ciência, indústria e políticas públicas de inovação trabalharam juntas. O apoio da Finep foi fundamental para assumirmos o risco tecnológico, desenvolvermos e validarmos a solução e chegarmos à etapa comercial”
A declaração de Wister Alves, fundador e CEO do Grupo Anexo, evidencia a importância do ecossistema de fomento público para tirar inovações do papel e inseri-las no mercado competitivo de energias renováveis.
Modernização de ativos solares
Um dos maiores diferenciais da película QORA é a sua versatilidade de aplicação.
Em vez de exigir a expansão de áreas para novas usinas ou a troca completa de grandes parques solares, a tecnologia permite que a infraestrutura já existente seja modernizada de maneira simples e eficiente.
A solução foi projetada para atender desde pequenos sistemas residenciais até grandes complexos de geração solar fotovoltaica.
Essa facilidade de integração representa um salto de produtividade para o setor elétrico, maximizando os ativos já instalados no território nacional.
Reconhecimento e próximos passos
O impacto positivo da inovação foi atestado em 2025, quando o projeto conquistou a etapa Centro-Oeste do Prêmio Finep de Inovação.
A premiação destacou iniciativas voltadas para a bioeconomia, descarbonização, transição e segurança energética.
Newton Hamatsu afirmou:
“Iniciativas como essa, que buscam aumentar a eficiência das fontes renováveis e acelerar a transição energética brasileira, estão alinhadas ao foco da Finep pelo seu caráter estruturante”
Ressalta Newton Hamatsu, superintendente da área de Transição Energética e Infraestrutura na Finep.
Com o lançamento da versão comercial finalizado em 2025, a Anexo Energia e o Instituto Anexo dão início à busca por novos parceiros comerciais e industriais.
O objetivo é escalar a produção e expandir a presença da tecnologia brasileira de terras raras nos mercados nacional e internacional, consolidando o país como um polo de soluções avançadas para a energia solar.

















