O embaixador do Japão, Yasushi Noguchi, reforçou que o Brasil possui potencial estratégico para se tornar um exportador global de hidrogênio verde, contando com apoio tecnológico japonês.
O cenário global de transição energética coloca o Brasil em uma posição privilegiada. Com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, o país é visto como um protagonista na produção de hidrogênio verde, combustível essencial para descarbonizar setores de difícil eletrificação. Essa expectativa foi reafirmada pelo embaixador japonês, Yasushi Noguchi, durante sua participação no Fórum Brasil Export.
Para Noguchi, a transição para essa nova fronteira energética não depende apenas de capacidade produtiva, mas de uma logística robusta. O diplomata destacou que a parceria bilateral pode ser o diferencial para superar barreiras de infraestrutura, incluindo o transporte marítimo e o armazenamento seguro de larga escala, pontos onde a expertise do Japão é referência internacional.
Tecnologia e infraestrutura como chaves para o setor
O hidrogênio verde, gerado a partir de fontes renováveis via eletrólise, enfrenta desafios técnicos significativos, especialmente na densidade energética e no transporte. Como o gás exige condições específicas de liquefação ou conversão, a integração de portos eficientes é fundamental. O embaixador apontou a infraestrutura portuária como a peça-chave para transformar o potencial brasileiro em realidade comercial.
“Acreditamos que essa visita contribuirá para a resolução de desafios como armazenamento em grande escala, a logística internacional e o desenvolvimento da infraestrutura portuária no Brasil, país que se espera que se torne, no futuro, um país exportador de hidrogênio e hidrogênio verde.”
Aprendizado com o modelo japonês
Como parte dessa cooperação, uma delegação do Brazil Export visitará o Japão em novembro para conhecer instalações como o porto de Kobe. O terminal é considerado um dos marcos mundiais no recebimento e distribuição eficiente de energia, servindo como modelo para o planejamento logístico que o Brasil precisa implementar em seus complexos portuários, como o de Itaqui e São Francisco do Sul.
A colaboração entre as duas nações não é inédita. O capital japonês já está presente em projetos de infraestrutura e mobilidade urbana brasileira, e a tendência é que essa parceria se aprofunde. A expectativa é que o intercâmbio de conhecimentos permita reduzir os custos operacionais da cadeia de suprimentos, tornando o hidrogênio verde produzido em território nacional mais competitivo no mercado externo.
O próximo passo para consolidar essa ambição envolve destravar investimentos em corredores logísticos que conectem as zonas de geração renovável aos portos de escoamento. Com o apoio tecnológico japonês e a abundância de recursos naturais, o país se posiciona de forma competitiva para suprir a demanda global por energia limpa, consolidando seu papel na sustentabilidade mundial nas próximas décadas.
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