A diretoria da Assiferto RS visitou a Ecocitrus, em Montenegro, para conhecer na prática um modelo de sucesso em economia circular, que transforma resíduos orgânicos em insumos, energia e biofertilizantes para a agricultura sustentável.
A busca por soluções mais eficientes e sustentáveis no agronegócio encontrou um ponto de convergência importante no Rio Grande do Sul. Recentemente, a diretoria da Assiferto RS (Associação das Indústrias de Fertilizantes Orgânicos do Rio Grande do Sul) visitou a sede da Ecocitrus, em Montenegro, referência nacional no tratamento de resíduos e na implementação de uma economia circular robusta e eficaz.
O encontro, realizado em 30 de setembro, permitiu que a comitiva conhecesse um ecossistema completo que integra compostagem, biodigestão e a produção de fertilizantes de alta qualidade. Esse modelo, que conecta diretamente a gestão de resíduos à agricultura familiar, é um exemplo prático de como transformar passivos ambientais em ativos produtivos.
A força da economia circular aplicada ao campo
Desde 1995, a Ecocitrus desenvolveu uma estrutura que evoluiu da necessidade dos produtores locais em obter adubo para seus pomares para um complexo que hoje atende mais de 150 empresas gaúchas. Utilizando processos aeróbicos e anaeróbicos, a cooperativa processa uma vasta gama de materiais, consolidando um ciclo onde o resíduo retorna ao solo sob a forma de composto e biofertilizante.
Com sete biodigestores operando a pleno vapor e uma capacidade de tratamento de 12 mil metros cúbicos por mês, a iniciativa demonstra que o manejo correto de materiais orgânicos é o caminho para uma produção cada vez mais sustentável.
Valdecir Ferrari, presidente da Assiferto RS, declarou:
É um exemplo muito concreto de como podemos olhar para os resíduos não apenas como algo que precisa ser tratado, mas como uma fonte de insumos para novos processos produtivos. Esse conceito está diretamente relacionado ao que defendemos enquanto entidade, que é o desenvolvimento e a qualificação de soluções para o aproveitamento adequado dos materiais orgânicos.
Troca de experiências e fortalecimento do setor
A visita também serviu como um fórum de diálogo sobre os desafios técnicos e regulatórios que as empresas do setor de fertilizantes orgânicos enfrentam no dia a dia. Para Ernesto Carlos Kasper, sócio-fundador e integrante do Conselho de Administração da Ecocitrus, esse intercâmbio é fundamental para o amadurecimento do mercado.
Ernesto Carlos Kasper afirmou:
Receber a Assiferto é importante porque reúne quem enfrenta os mesmos desafios técnicos e regulatórios. Essa troca fortalece todo o setor de fertilizantes orgânicos e ajuda a mostrar que o resíduo, quando bem tratado, volta para o solo como insumo de qualidade.
Além da gestão de resíduos, a cooperativa planeja expandir seu alcance, visando incluir produtores de outras regiões, como Canguçu e São Lourenço, oferecendo suporte técnico para a transição para a agricultura orgânica. Com mais de 130 associados e uma produção diversificada que vai do cultivo de citros ao processamento industrial, a Ecocitrus prova que a viabilidade econômica pode caminhar lado a lado com a responsabilidade ambiental.
A integração entre a Assiferto RS e modelos como o da Ecocitrus sinaliza um futuro promissor para a bioeconomia no Estado. À medida que o setor de energia limpa e nutrição de solo evolui, a disseminação dessas práticas de sustentabilidade torna-se essencial para garantir a segurança alimentar e a recuperação da saúde dos solos gaúchos, consolidando um ciclo produtivo que respeita os limites e as necessidades do meio ambiente.
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