Inversores solares podem falhar após tempestades se a rede elétrica não contar com dispositivos de proteção adequados, revela pesquisa recente da Universidade de Pernambuco.
Uma tempestade passageira pode ser o suficiente para interromper a geração de energia solar em uma residência ou empresa, resultando em surpresa na fatura de luz no final do mês. Para quem já apostou em fontes renováveis, blindar o cérebro do sistema fotovoltaico contra descargas atmosféricas e variações bruscas de tensão é tão vital quanto escolher módulos de alta eficiência. Um estudo recente traz novas evidências sobre a fragilidade desses equipamentos quando submetidos a eventos extremos.
A pesquisa, conduzida em parceria entre especialistas da Universidade de Pernambuco (UPE) e a fabricante CLAMPER, joga luz sobre uma dúvida comum entre consumidores: a blindagem interna que vem de fábrica nos equipamentos é realmente suficiente para blindar o sistema? Os testes demonstram que, em muitos cenários, contar apenas com os recursos nativos do aparelho pode deixar a instalação vulnerável.
O que revelam os testes de laboratório
Durante os ensaios técnicos apresentados no ICLP 2026 e repercutidos pelo portal especializado Canal Solar, três modelos de inversores com capacidade de 5 kW foram submetidos a impulsos elétricos simulados. Sem o reforço de um dispositivo externo, os aparelhos começaram a falhar após poucos impactos, tanto no circuito de corrente contínua quanto no lado de corrente alternada.
Por outro lado, quando os pesquisadores adicionaram proteções externas coordenadas, os equipamentos resistiram com sucesso ao limite máximo de disparos estabelecidos no protocolo do experimento. Os dispositivos externos conseguiram desviar grande parte da energia destrutiva, embora os especialistas reforçuem que o laboratório simula condições controladas e não substitui a imprevisibilidade de um raio direto em campo.
A proteção interna declarada pelos fabricantes nem sempre esgota a discussão sobre a segurança de toda a infraestrutura elétrica contra surtos severos.
Como blindar seu sistema fotovoltaico
Para evitar prejuízos altos e a paralisação na geração de energia limpa, o caminho passa por uma revisão detalhada do projeto elétrico. Proprietários de sistemas fotovoltaicos devem solicitar ao instalador responsável o diagrama completo e a especificação dos componentes utilizados, verificando a presença e o dimensionamento correto dos DPS (Dispositivos de Proteção contra Surtos).
Além disso, especialistas recomendam atenção redobrada à qualidade do aterramento e à coordenação entre as proteções internas e externas. A mera existência de uma caixa de distribuição no imóvel não garante eficácia se os itens não estiverem dimensionados para a realidade geográfica e a exposição a tempestades daquela região específica.
Investir tempo na checagem da documentação e realizar manutenções preventivas com profissionais habilitados reduz drasticamente o risco de falhas catastróficas. No mercado de energia limpa, antecipar-se aos danos climáticos é a melhor forma de proteger o patrimônio e garantir a previsibilidade financeira da microgeração.
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