Grandes indústrias de Minas Gerais buscam flexibilidade e custos menores no consumo de gás natural, motivando a Gasmig a criar soluções digitais para o mercado secundário.
Os grandes grupos industriais dos setores minerário e siderúrgico em Minas Gerais estão pressionando por novas condições no suprimento de energético. A busca por tarifas competitivas, liberdade contratual e desburocratização no acesso ao mercado livre pautou debates promovidos pela Gasmig.
Durante o encontro corporativo realizado em Belo Horizonte, a distribuidora mineira revelou que as demandas variam conforme o perfil operacional das gigantes como Vale, Gerdau e Usiminas.
Para atender a essa diversidade de exigências sem impor um modelo único, a concessionária prepara um ecossistema digital focado na negociação de sobras e na flexibilização de garantias.
Inovação digital e mercado secundário
As oscilações na produção industrial frequentemente geram ociosidade de volume contratado ou sanções financeiras por consumo excedente.
A principal resposta tecnológica da Gasmig será uma plataforma digital equipada com inteligência artificial para intermediar a compra e venda de sobras no mercado secundário.
Atualmente, as distribuições de excedentes entre fábricas ocorrem de forma manual. O objetivo do novo portal é automatizar o processo de combinação entre oferta e demanda sem custos de intermediação da molécula.
Além da ferramenta digital, novos modelos contratuais estão em estudo para oferecer maior dinamismo aos clientes que firmarem parcerias de longo prazo.
O presidente da Gasmig, Gustavo De Marchi, relatou:
Não tem nada mais complexo, em todo o processo de aquisição dele, do que comprar gás. Os contratos são muito rígidos. O pacote de penalidade faz muita diferença.
Potencial de descarbonização industrial
A Gasmig distribui diariamente cerca de 2,7 milhões de m³ de gás natural, dos quais aproximadamente 70% já pertencem ao ambiente livre de comercialização.
No segmento siderúrgico, o consumo saltou de 400 milhões de m³ em 2016 para patamares superiores a 600 milhões de m³ previstos para 2025.
Já na mineração, o uso recuou de 130 milhões de m³ anuais em 2018 para cerca de 60 milhões de m³, revelando um amplo espaço para recuperação de mercado.
O energético representa cerca de 16% da matriz energética minerária, enquanto o óleo diesel ainda responde por 19%, tornando-se o principal alvo para substituição sustentável.
Soluções com gás natural e biometano ganham tração em frotas pesadas, processos térmicos, atendimento fora da rede de tubulações e na produção de aço verde com menor pegada de carbono.
A transição para fontes mais limpas e a modernização das regras contratuais posicionam o insumo como um vetor estratégico para a sustentabilidade da indústria mineira.
Com a automação das negociações no mercado secundário e a futura integração do biometano, o estado se consolida na vanguarda da eficiência energética e descarbonização industrial.
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