O Banco do Nordeste (BNB) se prepara para direcionar R$ 3 bilhões a projetos inovadores de armazenamento de energia, impulsionando o setor no Nordeste.
O cenário da energia limpa no Brasil ganha um novo impulso com a iniciativa do Banco do Nordeste (BNB), que projeta destinar aproximadamente R$ 3 bilhões para o financiamento de projetos de sistemas de armazenamento de energia.
Essa robusta injeção de recursos faz parte da programação de infraestrutura do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) para 2027, com o objetivo de catalisar o desenvolvimento tecnológico e a sustentabilidade na região.
A confirmação desses valores e diretrizes ainda aguarda deliberação do Conselho Deliberativo da Sudene (Condel), como ressaltou Alan Luz, gerente do banco responsável pela Promoção e Atração de Investimentos.
Contudo, a instituição já trabalha com a possibilidade de estender os prazos de financiamento para até 15 anos, alinhados à duração dos contratos previstos nos leilões de energia.
FNE Verde e Inovação: Duas Vias para o Financiamento
Inicialmente, os projetos de armazenamento deverão ser enquadrados na linha FNE Verde.
Essa modalidade busca incentivar iniciativas com impacto ambiental positivo, oferecendo taxas de financiamento que variam entre IPCA + 7% e IPCA + 8%, dependendo da localização do investimento.
Paralelamente, o BNB estuda a viabilidade de incluir esses projetos, total ou parcialmente, no FNE Inovação.
Essa linha se destaca por prazos ainda mais flexíveis, chegando a 15 anos, e taxas de juros potencialmente inferiores, embora as condições específicas dependam da definição da programação anual do fundo.
Mix de Fontes e Suporte Adicional
Para viabilizar projetos de infraestrutura de grande porte, o BNB planeja financiamentos individuais que podem variar de R$ 500 milhões a R$ 800 milhões por grupo econômico.
O valor pode ser expandido através de um mix com outras fontes de financiamento, respeitando o limite de 70% do investimento total (Capex).
Nesse modelo, o Fundo Clima surge como um importante parceiro, com o BNB atuando como agente repassador.
Espera-se a disponibilização de até R$ 150 milhões do Fundo Clima por cliente final, condicionado à disponibilidade global de recursos, que atende projetos em todo o país.
Desafios e Oportunidades no Ecossistema de Armazenamento
A apresentação dos números pelo executivo do BNB ocorreu durante o evento Storage Leaders, promovido pela Absolar.
A discussão sobre o financiamento de sistemas de armazenamento também contou com a participação de Tuyra Moura, gerente executiva do BV, que apontou a padronização de projetos e garantias como um dos principais gargalos para a expansão do setor.
Moura afirmou:
A gente ainda tem desafios de padronização desses projetos, de padronização dessa garantia, para que, de fato, tudo isso seja bancarizado.
A executiva destacou a necessidade de transformar a tecnologia em um produto financeiro acessível.
A executiva ressaltou a importância de construir modelos que demonstrem o valor agregado das soluções de armazenamento e que considerem as diversas necessidades de consumidores, desde grandes indústrias até pessoas físicas.
A colaboração entre bancos, fornecedores e órgãos reguladores é vista como essencial para formar um ecossistema robusto, capaz de desenvolver referências e estruturar o crédito em maior escala.
A evolução do mercado de baterias no Brasil é um capítulo promissor na transição energética, e iniciativas como essa do BNB são fundamentais para sua concretização.
Empresas interessadas já são encorajadas a apresentar suas cartas-consulta ao banco para iniciar o processo de avaliação e discussão das condições.
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