O alto custo logístico e a falta de infraestrutura eficiente comprometem a competitividade global do Brasil, exigindo reformas estruturais e transição para uma energia limpa e barata, aponta a ArcelorMittal.
A discussão sobre o futuro da indústria nacional ganhou força durante o Congresso Aço Brasil 2026, realizado em São Paulo. Especialistas e líderes empresariais debateram os principais entraves que impedem o país de alcançar seu pleno potencial no cenário internacional, com especial atenção aos impactos econômicos da carga tributária, da energia renovável e dos gargalos de transporte.
Embora as medidas de defesa comercial sejam vistas como essenciais para proteger o mercado interno contra a enxurrada de produtos estrangeiros, executivos do setor reforçam que a verdadeira sustentabilidade econômica exige soluções de longo prazo. A transição para uma economia de baixo carbono e a modernização dos modais de transporte são consideradas peças-chave para destravar o crescimento do setor industrial.
Desafios Estruturais e o Peso da Logística
Para Everton Negresiolo, vice-presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO de Aços Longos na América Latina, as barreiras alfandegárias compram tempo, mas não resolvem a raiz do problema. O executivo destacou que a ausência de uma rede de transporte moderna e integrada anula as vantagens comparativas do país, afetando diretamente a transição para práticas de produção sustentáveis e eficientes.
Quando se olha o impacto tributário na indústria, ele é comum a todos os elos. O custo de energia e o custo logístico —ou seja, o gap de infraestrutura logística que temos no país— impactam todos os elos e o Brasil como um todo, do ponto de vista de custo em comparação com pares globais. Quando vamos competir globalmente, o custo logístico do Brasil é um peso. A estabilidade jurídica também envolve a cadeia como um todo.
A busca por matrizes de energia limpa representa outra frente fundamental para reduzir custos operacionais. Indústrias eletrointensivas, como a siderúrgica, dependem de tarifas previsíveis e competitivas para manter as operações alinhadas às metas globais de descarbonização, sem perder espaço para concorrentes estrangeiros.
O Papel do Setor Privado na Retomada
Diante desse cenário desafiador, a articulação entre empresas e o poder público precisa passar por uma profunda transformação. A união de esforços é vista como indispensável para superar o imediatismo e construir políticas públicas voltadas para o desenvolvimento verde e a modernização industrial.
Historicamente no Brasil, algumas vezes cada elo atua olhando mais para o seu próprio objetivo, às vezes em uma visão de curto ou médio prazo. Nós estamos no momento de não olhar para o que é mais relevante para um único elo, mas sim para o objetivo comum e mais importante para a cadeia como um todo, somado a uma visão não só de curto, mas também de longo prazo. Isso é responsabilidade do setor privado. Não podemos transferir a responsabilidade para o setor público.
O avanço da competitividade brasileira dependerá diretamente da capacidade de alinhar a agenda de descarbonização com investimentos maciços em infraestrutura verde. O futuro da manufatura nacional exige planejamento estratégico, onde a eficiência logística e o acesso à energia limpa caminham lado a lado para garantir inserção soberana do país no mercado global.
















