A EPE inicia um mapeamento estratégico de usinas hidrelétricas reversíveis no Brasil para subsidiar o planejamento de novos leilões de armazenamento de energia e fortalecer o SIN.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prepara o terreno para uma nova modalidade de contratação no setor elétrico brasileiro. Em um movimento alinhado às demandas de flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), o órgão anunciou que conduzirá um levantamento detalhado sobre o cenário atual de projetos de usinas hidrelétricas reversíveis em território nacional.
O processo começará em outubro com a divulgação das diretrizes para o cadastramento, seguido pela abertura da chamada técnica em novembro. O objetivo central é reunir dados precisos que ajudem o governo a desenhar um modelo de contratação eficiente, embora a iniciativa não represente, neste momento, uma habilitação formal para certames competitivos.
Entendendo o papel das usinas reversíveis
A estratégia atende diretamente às determinações da Resolução 8/2026, emitida pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O foco é identificar se o volume de projetos em desenvolvimento no país é suficiente para justificar a organização de leilões específicos para armazenamento hidráulico.
Para o presidente da EPE, Thiago Prado, essa fase é essencial para a maturidade do mercado.
“A chamada de projetos é uma etapa fundamental para compreensão do planejamento energético setorial se há projetos em desenvolvimento no país em volume compatível com a crescente demanda pelo Sistema Interligado Nacional nos planos desenvolvidos pela EPE que justifiquem a decisão pelo poder concedente de realizar um procedimento competitivo para contratação desse recurso.
O que apresentamos hoje à sociedade é mais um conjunto de ações concretas no desenvolvimento do mercado de armazenamento de energia.”
Como funcionará o levantamento
O mapeamento será dividido em três pilares fundamentais. Primeiro, a EPE avaliará o estágio de maturidade de cada projeto, considerando estudos de engenharia, situação das outorgas e viabilidade dos terrenos.
Em seguida, as características técnicas — como capacidade de potência, armazenamento e integração à rede — serão catalogadas. Por fim, o órgão buscará entender os custos operacionais e de investimento, além dos marcos críticos para a viabilização das obras.
O processo de coleta envolverá ainda um diálogo constante com o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A ideia é criar requisitos técnicos robustos e definir critérios econômico-financeiros que tragam segurança jurídica e atratividade para futuros leilões,
sem descuidar das exigências socioambientais, dado que esses empreendimentos podem ser enquadrados no Licenciamento Ambiental Especial (LAE).
O desfecho desta iniciativa pode ser decisivo para a estabilidade do sistema elétrico nos próximos anos, visto que a crescente penetração de fontes renováveis intermitentes exige soluções de armazenamento que permitam o despacho de energia em momentos de pico, reforçando a segurança energética do país.
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