A criação do novo conselho sob a Política de Minerais Críticos gera apreensão no mercado. O presidente da ABPM alerta que o cenário regulatório e a política de juros dificultam o avanço de investimentos no setor de mineração sustentável.
A aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos trouxe novos horizontes para o setor mineral brasileiro, mas também desencadeou uma onda de incertezas.
Em entrevista ao programa “Mapa da Mina”, Luís Maurício Azevedo, presidente da ABPM e CEO da Bravo Mining, destacou que o desenho institucional do novo conselho previsto pela lei tem despertado preocupação imediata entre os investidores que buscam segurança jurídica no país.
O debate ganha relevância em um momento em que o Brasil busca se posicionar como um player estratégico na transição energética global.
A regulamentação da lei surge, portanto, como o ponto focal para o futuro da pesquisa mineral e da extração responsável, elementos fundamentais para a cadeia de suprimentos de tecnologias de energia limpa.
Desafios regulatórios e o mercado de capitais
Durante sua participação no programa, Luís Maurício Azevedo ressaltou que as atenções do setor agora estão voltadas para a fase de regulamentação.
Segundo o executivo, é preciso garantir que o novo conselho atue de forma a fomentar o desenvolvimento, evitando criar barreiras que desestimulem o aporte de capital estrangeiro e nacional em projetos de longo prazo.
Além das questões institucionais, o executivo pontuou as dificuldades estruturais enfrentadas pelo setor de mineração no Brasil, especialmente no que tange ao financiamento.
Para ele, o atual cenário macroeconômico é um entrave significativo para o setor:
“O atual nível da taxa de juros e a falta de estímulos para investimentos de maior risco, como a pesquisa mineral, barram a atração de novos recursos.”
Divergências e perspectivas para a mineração
Outro ponto de destaque na entrevista foram as divergências de posicionamento entre a ABPM e o Ibram sobre os desdobramentos do texto final aprovado pelo Congresso.
Essas nuances revelam que o setor ainda busca um consenso para navegar pelas exigências de governança e sustentabilidade esperadas pelos mercados globais.
O impacto dessas decisões transcende a mineração convencional e atinge diretamente a capacidade brasileira de fornecer insumos essenciais para a economia verde.
O sucesso dessa política dependerá da capacidade do governo em equilibrar a necessidade de soberania mineral com a atratividade necessária para viabilizar investimentos de risco, essenciais para o progresso sustentável do país.
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