A Abrema busca incluir usinas de biogás de aterros sanitários em leilões de armazenamento de energia, classificando-as como ‘baterias verdes’ para fortalecer a segurança do sistema elétrico nacional.
A Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) iniciou uma articulação estratégica para reposicionar o papel da energia gerada a partir de resíduos no mercado brasileiro. O pleito central da entidade é a inclusão de usinas de biogás em aterros sanitários nos próximos certames de contratação de sistemas de armazenamento de energia do país.
Para o setor, essa integração não é apenas uma oportunidade de negócio, mas uma necessidade técnica. Diferente das fontes renováveis intermitentes, como a eólica e a solar, o biogás oferece uma geração contínua e previsível, atuando como um lastro importante para a rede elétrica durante períodos de maior criticidade.
O conceito de ‘baterias verdes’
O presidente da Abrema, Pedro Maranhão, defende a classificação dessas usinas como “baterias verdes”. O executivo ressalta que, além de assegurar o fornecimento de energia, a tecnologia promove o controle das emissões de metano, um gás de alto potencial poluente derivado da decomposição de resíduos orgânicos.
Embora a geração a partir de resíduos possa ter custos superiores, a diversificação da matriz elétrica é uma estratégia essencial para garantir segurança energética local em momentos de crise.
Embora reconheça que o custo operacional seja mais elevado do que outras fontes, a associação enfatiza que o valor entregue em termos de confiabilidade e sustentabilidade justifica o incentivo. A proposta visa consolidar a infraestrutura de aterros como ativos estratégicos para a resiliência do sistema nacional.
Metas de descarbonização e investimentos
Além da agenda de armazenamento, a associação está atenta às metas do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A Abrema propõe elevar a meta de descarbonização do gás natural com o uso de biometano para 1% em 2027, alinhando-se aos objetivos da lei do Combustível do Futuro.
A previsibilidade regulatória é o combustível para os planos do setor, que projeta investimentos da ordem de R$ 10 bilhões até 2028. Para concretizar esses aportes, a entidade cobra do governo federal um cronograma claro, que minimize riscos e dê segurança jurídica aos investidores de longo prazo.
Críticas ao modelo de políticas públicas
A entidade também aproveitou o debate para sinalizar pontos de melhoria no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e em programas estaduais, como o Integra Resíduos. A visão da Abrema é de que o foco estatal deveria priorizar o fechamento de lixões e a criação de infraestrutura em regiões ainda desassistidas.
O setor também levanta a bandeira da mineração urbana e da desoneração da cadeia de reciclagem. Ao propor alíquota zero para materiais reciclados, a associação pretende eliminar a bitributação, tornando esses insumos mais competitivos frente às matérias-primas virgens e impulsionando a economia circular no Brasil.
















