A mineradora St George, o governo de Minas Gerais e o grupo Lima & Pergher articulam a criação de um centro de refino de terras raras em Uberlândia, visando a independência tecnológica do país.
A busca pela autossuficiência na cadeia de minerais críticos deu um passo estratégico em Minas Gerais. Uma parceria entre a mineradora australiana St George, o executivo estadual e a organização Lima & Pergher foi formalizada para investigar a viabilidade técnica de uma refinaria especializada em terras raras. O polo, planejado para o município de Uberlândia, pretende preencher lacunas produtivas que hoje forçam o Brasil a exportar matérias-primas brutas para processamento no exterior.
Embora o empreendimento esteja em estágio embrionário, a iniciativa é um sinal claro de que o setor de energia limpa e alta tecnologia no Brasil busca verticalizar suas operações. O objetivo central é implementar o modelo de produção conhecido como “da mina ao ímã” (mine-to-magnet), essencial para o futuro da eletromobilidade e da transição energética.
O impacto na cadeia de valor de terras raras
O diferencial desta planta seria sua capacidade de elevar o valor agregado dos minérios extraídos em solo mineiro. Atualmente, após a extração e o beneficiamento primário, o Brasil carece de unidades capazes de realizar a separação e purificação complexa necessária para criar componentes de alta performance.
Estes elementos químicos são cruciais para a fabricação de ímãs permanentes, aplicados em turbinas de energia eólica e motores de carros elétricos.
Infraestrutura e expectativas para 2030
A escolha por Uberlândia não é aleatória. O projeto deve ser instalado nas dependências da START, divisão industrial do grupo Lima & Pergher. O local já dispõe de mão de obra qualificada e acesso a infraestrutura energética, fatores que podem otimizar o cronograma de implantação.
A St George apontou em comunicados recentes, reforçando que a expertise será buscada por meio de parcerias internacionais:
O projeto em estudo poderá ter capacidade para separar e refinar terras raras e produzir materiais destinados à fabricação de ímãs, mas o desenho tecnológico ainda não foi fechado.
O papel do governo e perspectivas futuras
O governo de Minas Gerais, através da agência Invest Minas, atuará como um facilitador institucional, reduzindo barreiras burocráticas para o licenciamento ambiental e auxiliando na atração de incentivos. A expectativa é que o projeto, se aprovado após a fase de estudos, entre em operação até 2030.
Com o suporte da matéria-prima vinda do projeto de Araxá e o alinhamento com iniciativas como a MagBras, a unidade mineira pode transformar o Brasil em um protagonista no fornecimento global de insumos tecnológicos, garantindo que o valor gerado pela mineração permaneça no território nacional e impulsione a economia de baixo carbono.
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